quinta-feira, 15 de outubro de 2020
Uma carta para a dama reluzente
o Amor se veste de silêncio para enganar os poetas.
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
Carta ao Poeta
por vezes tenho a impressão que sigo numa estrada que jamais terá fim, mas
isso não incomoda. Acostumado com o caminho,
projeto meus dias estacionado no “limite” das minhas possibilidades:
como amigo,
como homem,
como pessoa,
como parceiro.
Não combino as letras pela pretensa angústia que me acompanha, tão pouco “depressiono” os traços do meu horizonte (Severo horizonte),
na expectativa de dar sentido a dor que sinto
e,
com isso,
tornar-se algo para além de poeira das estrelas.
Reconheço os meandros revolucionários da Escrita,
e
como Clarice (armada de seu silêncio)
teorizou sobre as nossas formas de aprendizagem. Mas,
e da Tabacaria apenas o Café me acompanha.
Escrevo para esquecer,
por não suportar-me. Escrevo,
por não ter coragem suficiente para gritar, mas
ainda
O Amor não “resulta inútil”,
O Amor não resulta nada.
Sempre tive medo da morte, mas
hoje me aqueço na generosidade do esquecimento.
assim como esta carta,
assim como o instante fortuito que serenamente torna-se ilusão.
A sensação de eternidade é uma Tola aspiração que oscila ante o Abismo da existência. Encarar o Nada,
foi a forma que encontrei para seguir
– o encantamento da vida é a certeza de sua finitude.
O amor não "é coisa de maduro".
O amor não é coisa.
Há uma beleza infinita no acaso e na combinação aleatória de átomos
que se transformam em corpos
que se transformam em gente
que se enamora fortuitamente
que se sente agraciado pelo toque inesperado do objeto Amado.
Para além dos versos, para além das coisas fugidias,
e
Ter a pretensão de “tornar-se poeta” é uma vaidade que me permito, mas
logo
após
o
poema.
Não existe poeta para além dos versos,
respiro apenas enquanto lido.
domingo, 23 de agosto de 2020
Ao bruxo de ressaca
a Machado de Assis
Espero,
com mãos pensas e corpo curvo,
tal qual O Itabirano,
este
que
de literato virou bruxo
e de bruxo Imortal.
Mergulho na máquina, mas
ela some;
não encontro “Cosme velho” no Mundo,
vasto mundo – não ainda. Espero.
Falta-me Poesia? Há quem diga,
eu não digo (pura ousadia nada Juvenil);
a idade chega,
há um tempo para tudo,
inclusive para a Ressaca.
domingo, 2 de agosto de 2020
Do Amor
I
A solidão do meu passado se esquiva,
se esguia
e, com algum esforço,
encontra a solidão do teu passado.
Todo peso da idade me afasta da espera,
mas continuo. Silenciosamente continuo
e aguardo,
procuro desafogar-me
para não inundá-la com meu amor.
O tempo do beijo não passou,
o tempo do nosso Tempo não passa jamais.
Ainda úmido pela tua boca,
ainda quente pelos teus olhos,
procuro os limites do meu corpo no teu
(ainda que distante,
ainda que distância
ainda que falta).
Dobro-me em poesia na ânsia de te compor para além dos sonhos.
Tenho medo de vê-la partir, de-fi-ni-ti-va-men-te.
Medo bobo
de ter teu corpo se desfazendo em injúrias
e distrações,
de ter teu corpo escapando pelos meus dedos.
O vento da noite atravessou a janela,
faz frio,
uma música me lembra você.
II
A solidão do teu passado me envolve
e
definitivamente
a f a s t a (sem cuidado algum)
a solidão que tentei dividir.
É preciso coragem para
vivenciar
o sagrado momento do instante infinito,
o sagrado momento do silêncio
e de sua maçonaria.
O poema-inútil, o medo-inútil,
a inútil esperança que sinto
retoca as cores de um beijo que não existe mais.
Inundado de espera, teu olhar,
repete o mesmo terço reticente:
o silêncio-vazio do não,
o silêncio-vazio do quarto,
o silêncio-vazio sem marcas.
De nada adianta dobrar-me,
este é um reino do "nós".
Escrevo
sem
te
alcançar.
O vento da noite atravessa a janela,
faz frio,
uma música...
domingo, 5 de julho de 2020
meu corpo ao teu, meu gosto ao teu.
Pescoço, costas, percorro,
arranho
Sinto todo teu tremer.
morrer de Amar eu Sou.
Oração canção, Rio
Rio, em tuas casas eu me aprendi abrigo e me forjei em tons do mar que abraça infinito. Rio, sobre tuas ruas desfilei-me encanto, respirei-...
-
...e de toda sorte: quando não se queriam; quando não se buscavam; quando não se tocavam, quando não se beijavam; dias-anos saudade-é.
-
Se eu me sobrevivo como saber se canto ou morte, se dor ou gozo? Se eu me sobrevivo como saber se letra ou lágrima, se sorriso ou lamento?...
-
acordei, já era tarde, troquei o almoço pelo fino trato da aurora; não me desabotoei das lembranças, quis o filme tolo e a cerveja estupidam...