Minha máquina do mundo se abriu
Já não havia mais horas nos ponteiros do relógio. O tempo, bailando sobre mim delineava um emaranhado de estradas, de corpos e de esquinas que não virei. No final de todos os caminhos (Inexplicavelmente unidos), um Anjo me sorria contente e um demônio timidamente também sorria. Já não existiam mais janelas para se abrir, portas para trancar ou vontade para morrer - eu Era sem saber Ser. Sufocando, sufocado, perdi-me silêncio e desespero, eram tantos equívocos, tantas escolhas infundadas. O Anjo já não sorria mais. Um pouco de chá para serenar, um pouco de café... Há como serenar o silêncio? Ele controla, impõe e sufoca... Um comprimido para acalmar? Nada acalma e já não quero mais entorpecer. Eu falo. Grito, grito bastante, mas ninguém me escuta para além das paredes. O demônio enxuga as próprias lágrimas. O sono me chega, as horas continuam...