terça-feira, 31 de março de 2026

Aparente-se

atravesso-me
em momentos
e
entre solstícios do tempo,
reproduzo
as cores do futuro-passado;

de toda sorte,
procuro o escondido 
de cada possibilidade impossível
de cada espaço entre os não-caminhos,
de cada desvio retornado dos avanços;

o rosto que gravo não me deixa ser
e se decompõe
esvoaçada(mente)...

não sou Carlos (ainda 
que Gauche)
e
clariceanamente aprendo,
sem saber se de fato sei as coisas que sei
ou
se simplesmente as coisas me são
e me dão tudo aquilo que não sei receber
e me dão tudo aquilo que de fato recebo
e me dão tudo aquilo...

de toda sorte,
disponho 
de erros em demasia
de medos em demasia
de vontades demasiadas
e
alcanço 
a vertigem-de-si-em-si
(demasiadamente educada)

sou o rosto aparente atrás do espelho.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

não me habito
e, 
talvez, por isso,
mantenho-me
debruçado no entre (saturado de meios, 
de metades e de mormaços).
 
Estico-me passado-futuro,
silêncio:

sábado, 17 de janeiro de 2026

Uma última noite

Por esta noite,
o tempo
do nosso tempo não passa mais;

por esta noite,
tudo será como rascunhado,
nenhuma descoberta
nenhum sopro de diferenciação
(teremos
apenas o reconhecível,
o reconhecível nosso).

Por esta noite:
a presença-pele,
o afago-ritmo,
o prazer-mudez,
o segundo-intimo.

Por esta noite,
seremos intermináveis.

Aparente-se

atravesso-me em momentos e entre solstícios do tempo, reproduzo as cores do futuro-passado; de toda sorte, procuro o escondido  de cada p...