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Não sei,  Eu  sei.  Não me habito, jamais  me habitei ou me habitarei.  Mantenho-me,  esticado no entre – saturado de meios,  metades e mormaços.  Vivendo não Sou,  e s t i c o - m e.  Vive-se para a morte,  para um dia não ser,  para a aspereza da finitude e a potência do quase.  silêncio:

Noite muda

Por  esta  noite  o tempo  do nosso tempo não passa mais;  mesmo  o tempo daquele infenso  segundo onde não somos mais, onde  não temos mais.  Por  esta  noite  tudo deve ser como rascunhado, nenhuma  descoberta  será permitido; quero o reconhecível  e  o afago da lembrança-pele.  Por  esta  noite,  não me deixarei ir,  não  me deixarei entregue, acanhado;  prefiro  o  terço à fórmula — mesmo quando-mudez.  Ser é noite interminável

Da hospitalidade para consigo

 “O outro habita antes de mim” Derrida I acaso te encontras onde vês os passos que te levaram?   II acaso te vês onde levaram os passos que te   encontras? III acaso te levaram onde encontras os passos que te vês?
do espanto riso do escondido lição do submerso futuro do enquanto fico do descompasso saciedade do percebido Não
escrevo para  os do escuro, para  os indesejáveis e inaudíveis;   sou entre os ineptos e apenas por  fra g men tos, escrevo  ossos.
Depois?  Não-tempo,  passos  em  não-espaços; ví-vida...   
todo  desconforto não cabe; todo  l i m i t e  se acomoda, Só-estou.
o Sol acordou antes da manhã,  o horizonte escuro-claro ainda despontava no céu;   água para o café,  água para o corpo  e  um pouco de Bethânia para o sorriso teimoso; já era quase-hora quando finalmente pensei em você.  Bethânia - As canções que você fez pra mim

Todas as manhãs do mundo

o puro-acaso, o ante-ocaso,  o infinito jogo-de -manhãs; p a c i e n t e  m e n t e  esc ombro  palavras e en torno  metáforas;  respiro;

Poema pessoal

...quero aprender-me numa língua nova,  conhecer-me  num mundo totalmente novo,  mas. acostumo-me - m eu  texto  é  cansaço. Ontem              teve Sol, não vi;              teve samba, não fui;             teve dança, não sei;              teve riso, dormi.
amei, mas era Noite; o amor precisa de sol.

Novela da vida humana

Não tenho problema com meus delírios, importa-me  apenas que sejam de amor ou das infinitas possibilidades de controlar o tempo e de morar no instante.  Não tenho dificuldades com a morte.  Morro  sempre com as despedidas não quistas,  com os lamentos-solitários  e com a força que faço para esquecer das coisas.  Importo-me em não morrer de gozo  ou no passado caudaloso e "ancorante".  Escolher onde se morre é a única forma de liberdade-possível.  Há muito tempo o Sol nasce  e por muito tempo ele ainda irá nascer. Eu não. Não existia antes deste poema, tão pouco existirei  por muito tempo depois das palavras secarem (e elas secarão).  Somos um acumulado de memória em desgaste nada-infinito.  Um esposo qualquer do prédio                pulou e,  ainda assim, manteve-se vivo; um outro simplesmente deixou de acordar. Uma filha fugiu do mundo e hoje ela é só-casa;  uma...

O corpo que pesa é um corpo se impõe III

Sob tua ponte ensolarada pendula o  antigo corte-seco-pulso  que já não é mais corte, que  já não é paisagem e nem é saudade;   Sob tuas águas santas,  versifico a cura-seca que  é só labuta, que  é só canção, que  não é mais visita,  nem é tristeza.   O chá das cinco, o café  dos dias e  a cerveja das noites.  A doce esperança-presença me fez casa e  o corpo no espelho já não é só corpo, ele é também estrada-fim.   O passado anda-vive, mas o futuro abraça.  O passo de dez anos é a rede na fria manhã de outono e em todas que ainda estão por nascer. Sob tuas ruas,  pela primeira vez, caminho também  as  minhas  pegadas. O cansaço-triste, a revolta-tola, o desespero-imóvel  – tudo poeira retornando ao vento. O tempo-certo  é  sempre o certo do próprio tempo.   Florescer sertão, apaziguar Francisco, respirar futuro, viver nordeste.   Sou Chico, não poeta.  ...
Se eu me sobrevivo como saber se canto ou morte, se dor ou gozo? Se eu me sobrevivo como saber se letra ou lágrima, se sorriso ou lamento? Gostaria de ir-me por completo, p or partes, desde que eu-me-vá .

Recomeço

In-cansavelmente  continuo, é a única forma que conheço para ser quem eu sou,  mesmo sem saber se estou sendo; nunca   fui bom com planos ,  no geral,  é o acaso que guia meus passos  e controla meus dias, minhas noites.    Amei com desespero, ajudei com culpa, acompanhei com medo, vivi na Solidão.   Muito pouco fiz com o pouco que me foi dado e também muito pouco faria com muito .   Gostaria de não existir quando não existisse mais; continuar é correr o risco de que a infinitude de  minhas angústias sejam encontradas pelos escafandristas do verdadeiro Chico.   Gostaria de poder sumir  completamente  logo  após  o fim do meu tempo; se pudesse, na verdade, iria me a pagando aos poucos,  sumindo sor-ra-tei-ra-men-te d as lembranças alheias.   Meu orgulho lustroso, minha vaidade acolhedora, minha despedida inesperada e a raiva carinhosa   - o melhor de mim é avesso.   Observo as ond...

Repentinamente

  ...e de toda sorte: quando  não se queriam;  quando não se buscavam; quando  não se tocavam, quando não se beijavam; dias-anos saudade-é.

Impressões de uma paixão conjugada

não me beijes não me aceites  não me encantes  não me respeites não me ames não me escutes.
abri a janela,  amanheceu  - não era nada.

Jóquei

acordei, já era tarde, troquei o almoço pelo fino trato da aurora; não me desabotoei das lembranças, quis o filme tolo e a cerveja estupidamente gelada; não resisti. Folheando o livro da Campilho retornei:

Um corpo que pesa é um corpo que impõe - II

: e o coração acelera, a respiração falta, o corpo treme ... e Chico repousa suas águas nos pés do outro e acalma seu corpo com o Frio, com O-frio que emana de sua impávida beleza ancestral.    bem depois, na velha manhã que atravessa a também velha cortina eles acordam e no espelho o resultado das ásperas mãos de Chico sobre meu corpo frágil, do áspero beijo-encontro tolamente permitido da alma (minha antes-alma) que agora exaspera de paixão e descontrole; no espelho o resultado-idealizado de um  momento que é sempre-espera.   depois, bem depois dos dias, já cansado de sentir o peso do teu corpo movimentando-se sobre o meu, na segunda manhã após o tempo infinito e já sem cortinas só ele acorda só ele se veste só ele se banha só ele é espelho só ele e eu-só.

Café no fim da tarde

I - Um recital sobre o tempo Não acredito no verso que permanece, o ver-só  é tintura na mão do acaso, é  o termo  que  reverbera transformações para longe da mente que o intuio; não acredito em nenhum tipo de permanência e  sempre espero a dúvida que brota depois da última dúvida sanada.  O tempo passou por mim quando eu voltava da Poesia e me disse  que o texto precisava nascer, mas que eu não tivesse pressa que na pressa se morre  que é preciso aparar as arestas e esperar - até quando... II - Eu só quero o Não O tempo das coisas ressoa no tempo das próprias coisas e aprumam-se em seu limite de infinitas possibilidades frente as nossas marcas infinitas e aos infinitos gozos e as dores que nunca passam  (em suas noites frias e também infinitas). O verso é infenso ao tempo,  sua composição telúrica seu devir-memória é o registro  do que nunca foi, do que  nunca vai;  ele  é o todo desejo deslocado,  imparcia...
 ainda (a)guardo você

Ainda até não mais

Sou  o fruto  ainda verde-maduro da minha exata experiência-inexperiente.   Sou  o passo  ainda trêmulo-firme da minha indivisível vida-morte.

Escolhas e ansiedade

O tempo d e s a c e l e r a,  taquicardia,  desorientação, dores pelo corpo. Respiro, respiro profundamente, não sei onde e nem aonde, não sei nada daquilo que preciso saber.  Descubro-me corpo, descubro-me mente: eu Não sou.
Eu sou aquilo que escapa dos poemas que escrevo . Visto-me de ideias que não tive, de letras não utilizadas e  histórias que não consegui contar.
nos termos do silêncio assumo-me  grito .

Réquem em Libra II

Todo “até logo” carrega em si um bocado de adeus, nunca se sabe até quando - quando,  aliás,  é o limite do tempo repleto de possíveis – seu condicionante  é o material telúrico da própria vida, encarnação da memória do ontem  e de infinitos amanhãs. Hoje,  por sua vez, é tempo sem registro – hoje é a presença sempre ausente, sempre fugidia, é a respiração que tento e não se completa por falta de ar. Ainda sim fantasio no hoje,  ainda sim fantasio  no hoje que sobe a montanha no hoje que queima de amor  no hoje que se veste de surpresa.  Logo, por outro lado, tem a duração de dois meses; logo tem o profundo tempo do “soneto do Amor total”, logo é todo tempo que escapa do quando, é o tempo palpável  do infinito... Infinito,  por outro lado,  é o tempo sem “logo” e ou “quando” – infinito é o tempo da espera-pura. Todo “até logo” carrega  em si  uma vergonhosa crise fantasiada de medo do abandono, de despedida,  d...

Resposta

As coisas que passam redigem - no tempo e no espaço - o resultado da vida que não vivemos que não soubemos escolher. A cada esquina virada, a cada café sortido, a cada promessa não cumprida, apaga-se  imediatamente a possibilidade de um caminho que nunca chegou a ser criado. Não, não somos apenas o resultado daquilo que foi experenciado, mas também  uma porção significativa daquilo que escolhemos deixar para trás. Viver não é tecer o próprio caminho, mas aceitar  o trajeto construído quando se rejeita as estradas que se abrem a cada passo dado  e, por isso,  todo "aprendizado"  é  a  tese acabada de um resultado fortuito que não poderia ter sido outro que nunca poderá ser outro que só poderia ter sido outro se fôssemos outro também. Não existe beleza nas coisas que nunca foram.  Nunca é signo vazio, mundanidade pura. Prefiro  as infinitas possibilidades do tempo que ainda tenho  ao  manso regaço dos tempos de outrora e suas lem...

Uma carta sobre a Espera

O sono que chega não me atravessa e rememorando d e d i l h o em  tons  de  distância a  voz  que sempre esteve.  Eras tu?   O tempo da espera é apenas espera, espera que nunca chega sobre teu corpo tenro sobre tua voz serena sobre teu abraço quente sobre tua boca que...   Meu desejo esposa outro passado e hoje reconheço a única paz possível. Tanto engano,  será que ainda me engano? O tempo da Espera nunca chega,  nunca ...  Temi o corpo rejeitado frente a sua quase-beleza que nunca é quase que sempre é tanta que sempre é transbordo. In completo frases que sempre digo e que você sempre quase-não-escuta,  só olha...  sempre só você olha, sempre só você está.    Incompleto corpo, queria outro, exijo outro – um tanto mais melódico,  mais feminino, mais  e s g u i o. In completo,  observo a tessitura dos silêncios que te compuresam em prisão  e agora  destilam Liberda...

Réquiem em Libra

I Tão pouco... tão pouco de mim ainda resta e, sem a maquiagem, nem me reconheço mais nos vincos que marcam meu rosto. Hoje é um tempo que não passa, hoje foi o ontem que você não veio... é sempre hoje no texto que declamo ou na ideia fixa que me acorda. Antes,  por outro lado,  nunca é um tempo melhor: antes é espaço sem vida antes é projeção  antes nem é... Lembrar é um movimento que me domina, quase involuntário,  discutir em análise é uma saída - se perdoar, talvez - mas nenhum destes caminhos pode ser resposta - resposta prescinde compreensão e, por mais que eu as queira,  todas ela ficaram com você. Impossível, aliás, seria não ficar com você, com você. Tão pouco e todo pouco de mim ainda revivi a trilha que subi agradecido, trilha que  não aprendi a desbravar e nunca mais achei o caminho. Amor cabe em si mesmo, amar não - sou refém de um substantivo.   II Fomos fim antes do começo e planos antes das realizações, invertemos e,  quem sab...

Do acaso

O terço-guia, que descreio, que descremos, é o mesmo verso-acaso que se veste (se investe)  e que contra nós e apesar de nós, em torno nós,  agiliza  o nó-encontro o nó-estrada o nó-espera o nó que desenha nas roupas  e que desenha em teus mundos e que desenha o teu olhar-afago e o teu desejo-abraço. O terço-guia, que descremos, que queremos, é o mesmo verso-plano  que se fez vontade, que se faz vontade, que só aumenta  e  nos enfrenta, nos aquece, nos espera até o raiar do dia da conversa boba do sorriso bobo dos livros divididos. O terço-guia, que queremos, que nos é amigo, é o mesmo  verso-tempo, que  se desdobrou, que se pendulou,  que venceu o duro concreto da descrença, o duro concreto do não, que  agora é todo espera do beijo-encontro  da vida-sonho do repentino amor.   

Da hospitalidade

                                            "a língua materna já é uma língua do outro"                                                                    (DERRIDA, p. 79, 20021)* O corpo, tão refém das estradas e tão passeio de solidão, já não é um corpo - é para além dos espaços, dos textos dos beijos da guerra - um corpo só o é em relação infinita. Nenhuma voz.  De mim  ressoa apenas as histórias gravadas pelo silêncio. Eu sou quem as ouve quem as vive como este poema - que não é somente texto, mas também lembrança e futuro. Meus passos encontram outros passos, outros "Outros" e os acolho para além de mim, sem poder.   Minha estrada jamais foi minha, ela é do outro e do outro que também sou pa...

O corpo poético-filosófico

"É o corpo, portanto, que se esforça para extrair encontros do acaso e, no encadeamento das paixões tristes, organizar os bons encontros" (Deleuze, Espinosa e o problema da expressão) O beijo ancora o tenso-firme  e o gosto-raro  aclara a fome -pura pretéritamente-imperfeita.  O  terço reluz o suor-ritmo e o acaso-cor encontra o tempo -gozo pretéritamente-futuresco.  O corpo registra o peso-marca  e a saudade-estrada desenha a possibilidade -nós futuramente-subjunta.   

Poema falso

Quero sentir o nós no teu corpo,  sentir o nós no teu gosto, o nós no teu quadril, nós no teu nós, no teu Eu, teu gozo, você.

Diálogo

"É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio"                                                                              (DRUMMOND) Uma flor, solitária flor,  ultrapassa o asfalto e o tédio dos arranha-céus,  cotidiano.   Uma flor, solitária flor,  ultrapassa o peito e o eu-concreto do mundo-concreto, Poesia.

Da poesia

                                                         "Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro                                                            são indiferentes"                                                            (DRUMMOND) A gota de bílis não é poesia, mas também  não é letra vazia, signo vazio,  ela é texto e  existe uma história por detrás e, que, por isso mesmo,   espera – distraidamente – o sentido-forma-corpo-poema.  O sorriso não é poesia, mas o texto que escapa dele pode ser; o c...

Das possibilidades

Dois pontos, toda história deveria terminar assim – preparando uma espécie de anotação, de acréscimo, para o tempo que virá. Todas as coisas voltam, nada e-fe-ti-va-men-te  passa. Todas as coisas perduram, como lembrança, como tristeza, como sorriso, como amparo. Baltazar retorna, talvez nunca tenha ido (ou estado?). As coisas nunca foram claras, apesar de claríssimas serem as possibilidades. Uma casa nova, um apartamento novo e a promessa de um futuro em par.     O tempo que passa atravessa as cidades – aproxima quem “desaproxima”. Toda vida, sempre tempo novo.   A casa nova. O mundo novo. A vida.  A vida nova. A vida nova. A vida nova. O mesmo eu, a mesma solidão que se esforça na busca de viver por três,  por três tempos, por três vidas. Eu um só.   As coisas são como são até não serem mais. Parece óbvio, mas não é tanto. Nada é tanto, nunca é tanto, até ser. Há um limite para os planos, para as expectativas, deixar-me boiando sobre elas é ...

Poeminha da Alteridade

Eu, se não nascesse Eu, nasceria  Outro; seria radicalmente outro-eu,   sem nenhuma semelhança. Então,  como posso  condenar um Eu   que poderia ser o meu,  se nasce Eu ao invés de outro-eu,  por ser exatamente o Eu que ele é? 

Engenho

Passeio sobre teu corpo em cada sonho que tenho, mas já não sei se sonho ou se acordo. Antes, talvez  o Terço tivesse feito algum efeito, mas nada te afasta ou aproxima - você permanece.   Um pouco de fobia transforma convenções em pontes intransponíveis e a chave esquecida (enterrada na areia,  escondida na areia, vivemos na areia, ficamos na areia) grafa  a memória de um tempo não cumprido. Longe é a estrada que persigo, que atravesso poeticamente;  longe demais, talvez, tenha ido minha a esperança – não me parece sanidade fotografar o amor. Aliás,  como é possível não amar um amor que se sentia sem saber que já era Amor? Sofro como sofrem todos, nenhuma gota além;  querer-te  não é prisão - apenas sonho,  apenas encanto, apenas distraio meu tempo na busca pelo amanhecer das tuas mensagens. Ontem é tempo de aprendizado, ontem sonhei com você, ontem acordei em paz  e só por isso escrevo.  Uma parte de mim mantém-se quieta...

Uma tese sobre a morte, uma tese sobre a vida

I o verso não escrito o tempo que não chega o corpo que não alcanço  a boca não-encontro   a saudade que não destilo  o espaço que não ocupo o Lembrar que não acalma  o Amor que não amanheço   II O verso escrito O tempo que chega O corpo que alcanço A boca-encontro   a saudade que destilo  o espaço que ocupo o Lembrar que acalma  o Amor que amanheço

Poema de despedida

Entre tuas mãos aconchego; entre   tuas coxas casa e teus braços fogo - eu ficaria se você pedisse.  Entre os futuros da estrada; entre o olhar dos filhos e do encanto música - eu ficaria se você pedisse. No sorriso benção, no silêncio medo.
“Um pouco de possível, senão eu sufoco” (Deleuze) Um pouco deste canto grito, deste verso estrada, desta mão-revolta, desta mente-assombro, deste sangue-cais.   Um pouco deste canto imenso, deste verso Casa, desta mão sossego, desta mente pura, deste sangue-mar.

O poeta e a Cura

Confesso verso faca alívio, verso-terço-puro, que retina tempo espelha.   Confesso gosto gozo infindo, gosto-corpo-culpa, que pecado santo arvora.   Confesso cura presa angústia, cura-serra-sonha, que temporal brisa encontra.

Outubro no Ouvidor

                                               à menininha Ruiva. De todas as formas, platonicamente, sustento a filha que nunca foi nossa, o tempo que nunca tivemos, o “sim” que nunca demos, o “olhar” que nunca trocamos. De todas as fôrmas, eroticamente, aquiesço a boca não molhada, o corpo não sentido, o gozo não encontrado, o terço não rompido. Meu maior pecado-controle, meu maior pecado-insegurança, meu maior pecado-medo, meu maior pecado-conquista. Meu maior pecado-platônico, meu maior pecado-sustento, meu maior pecado-erótico, meu maior pecado-aquiesço. 

Foram as impossibilidades

vírgulaneamente,  com licença de Clarice, começo um texto e, como Lori, também com café, procuro a epifania simbólica que demarca a presença do amor: silêncio-deus; amor-deus.   Ulisses se foi, Baltazar também, restou apenas o amargo vazio das impossibilidades: a vida urge.   Urgimos nós: por esta ausência sem nome, por este espaço sem corpo, por este beijo sem boca, por este peso sem paixão. Nós? Baltazar se foi: a vida passa.   Passaria talvez, se a vida fosse vida, mas sendo apenas dias todos são iguais e, em nenhum deles, escuto o barulho dos teus passos no corredor ao lado.   Se este vazio é o “silêncio-deus” e “amor-deus”, porque lacera-me tanto?   Seria o Amor, mesmo estes que começam com vírgula, um “deus-em-si” feito para ser adorado na crueza dos nossos próprios corpos?   Não sei. Lóri não me responde, Ulisses retornou. Baltazar se foi... Há também um tempo para o Amor?      ...

O Fascismo nosso de cada dia

De todas as formas as fôrmas de todos formam tod-s.  
Tempos estranhos [fechados], passos insanos. Isolados. Distópico princípio diastólico Baco insistente ao diabólico . 
Tudo assim, s u s p e n s o,  sem lugar e causa aparente. 

Luminescência ou presença escondida

                                             A Clarice ... foi quando li Verissimo . Deste jeito, tomado de espanto, percebi que você já era em mim e que meu rosto (filho do meu mais profundo silêncio), era composto por tuas palavras.   Sou Chico sendo Clarice.
Poesia espelho,  pedra terço.    Poesia café, ponte história. Poesia basta.

Horizonte-quarto e rua-Morte

O tempo passa e-nada-muda. Os dias são iguais, as horas correm iguais.  Iguais: janelas-grades, portas-grades.  Meu sono não amanhece. Permaneço, palíndromicamente, pendulando entre o desespero e a indiferença. Março-dezembro se aproxima, i n c a n s a v e l m e n t e   PERDURO. 
João fala de árvores, mas Alfredo entende comunismo. Helena, por sua vez,  argumenta sobre sua pesquisa e Fernando, que não entende nada do assunto, afirma que é tudo "questão de opinião". Francisco, poeta manquitolante, que  se interessa pelo o "impoderável" na vida, sorri ao escutar que sua a poesia é obscura.  
Quem se sou não sendo e estou não estando?