sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Uma noite de ontem no tempo de agora

 O tempo do ontem desabou num outro ontem, 

ontem de tanques 
e 
de des_parecimentos. 
 
Da era das pessoas nas redes
à era das pessoas em redes. 

O passado virou presente,
depois futuro 
– ainda há uma parte deles em nós. 

A caneta pesa um revólver 
e a palavra uma bala de prata:

não professo aqui 
a temperança da igualdade-medo, mas
a proposição humanística da liberdade-voz. 
 
não caminho aqui
no vazio da trêmula intelectualidade, mas 
na condição do passo sempre próximo do próximo passo;

enfim,
não me redijo em sórdida glória miliciana, mas
no direito gritado: ele(s) não, ele(s) nunca mais

domingo, 28 de junho de 2026

Oração canção, Rio

Rio,
em tuas casas
eu me aprendi abrigo
e me forjei
em tons do mar que abraça infinito.

Rio,
sobre tuas ruas desfilei-me encanto, 
respirei-me em versos
e me compus humano.

Rio,
me vi espelho
em tuas mil humanidades
e em cada uma das tuas deidades
(do repique-sacro do desfile
aos braços abertos a acolher).

Rio,
por favor,
converse com Sebastião
(minha
saudade-musa),
sobre
poetar ao mundo
tua gira de beleza
e poesia.

sábado, 30 de maio de 2026

Clube da esquina

Eu teria te amado mil vezes
por mil dias
em mil momentos diferentes

e depois

te amaria em cada espaço restante destas mil vezes
dos mil dias
e de todos os mil momentos.

Eu seria eu mesmo sendo 
exatamente aquilo que sou 
quando sou com você
e que só posso ser quando sendo eu-você.

Eu me dobraria em muitos lugares para estar depois de todos os estares
e todos lugares
onde só estou se estou com você.

Eu aprenderia amor-amar 
se o amar-amor tivesse sido
e 
fosse tudo poesia para além deste próprio verso.

terça-feira, 31 de março de 2026

Aparente-se

atravesso-me
em momentos
e
entre solstícios do tempo,
reproduzo
as cores do futuro-passado;

de toda sorte,
procuro o escondido 
de cada possibilidade impossível
de cada espaço entre os não-caminhos,
de cada desvio retornado dos avanços;

o rosto que gravo não me deixa ser
e se decompõe
esvoaçada(mente)...

não sou Carlos (ainda 
que Gauche)
e
clariceanamente aprendo,
sem saber se de fato sei as coisas que sei
ou
se simplesmente as coisas me são
e me dão tudo aquilo que não sei receber
e me dão tudo aquilo que de fato recebo
e me dão tudo aquilo...

de toda sorte,
disponho 
de erros em demasia
de medos em demasia
de vontades demasiadas
e
alcanço 
a vertigem-de-si-em-si
(demasiadamente educada)

sou o rosto aparente atrás do espelho.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

não me habito
e, 
talvez, por isso,
mantenho-me
debruçado no entre (saturado de meios, 
de metades e de mormaços).
 
Estico-me passado-futuro,
silêncio:

sábado, 17 de janeiro de 2026

Uma última noite

Por esta noite,
o tempo
do nosso tempo não passa mais;

por esta noite,
tudo será como rascunhado,
nenhuma descoberta
nenhum sopro de diferenciação
(teremos
apenas o reconhecível,
o reconhecível nosso).

Por esta noite:
a presença-pele,
o afago-ritmo,
o prazer-mudez,
o segundo-intimo.

Por esta noite,
seremos intermináveis.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Da hospitalidade para consigo

 “O outro habita antes de mim”
Derrida

I
acaso te encontras
onde vês
os passos que te levaram?
 
II
acaso te vês
onde levaram
os passos que te  encontras?

III
acaso te levaram
onde encontras
os passos que te vês?

Uma noite de ontem no tempo de agora

  O tempo do ontem desabou num outro ontem,  ontem de tanques  e  de des_parecimentos.    Da era das pessoas nas redes à era das pessoas em ...