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Mostrando postagens de agosto, 2019

Bolero para uma alma triste

Teu corpo Macondo tua pele esperança e  este corte profundo (fantasiado de desejo): que faz sangrar a pele, que faz sangrar a alma, que me fez sangrar... Teu corpo e o toque não sentido e o bejio negado e a promessa não cumprida. Macondo desfez-se tão rapidamente, tão rapidamente quanto um telefonema quanto uma noite de sexta-feira. Tão rapidamente quanto um Adeus. E as juras? E o desejo? Era falsa toda ânsia? Não era canção a melodia tocada? Tua pele se enrosca nesta pele imaginária que sobrevive equilibrando esperança enquanto espera, a espreita... Maldita esperança, encolhida acena ao tempo, destilando brevemente a cura e a dependência deste amor que brota adoecido - quarenta centímetros da coragem.

E eles se amaram

A inspiração transvestiu-se de ousadia e quando percebi minha pena se movia na ânsia de escrever sobre o encontro de dois amantes. Refletindo, dissecando cada segundo do evento que observava, dediquei-me ao exercício de escrever apenas o fundamental: cortei o primeiro encontro dos olhares, a formação do encanto inicial, as três viradas da confirmação e os três encontros fortuitamente calculados; retirei a indisfarçável respiração ofegante do primeiro "oi", o suor frio, o nervosismo incontrolável e o embrulho no estômago; deixei o tempo correr livremente, apaguei os vincos do sorriso bobo, a alegria injustificada e a sensação de não caber dentro de si; detive-me apenas no que havia de mais essencial, naquilo que, indistintamente, representava a prática de amar; em suma, deixei no meu texto apenas o que era imprescindível. O resultado? E eles se amaram.