I " Que se espere. Não o fim do silêncio, mas o auxílio bendito de um terceiro elemento: a luz da aurora” (LISPECTOR, O livro dos prazeres) A solidão do meu passado se esquiva, se esguia e, com algum esforço, encontra a solidão do teu passado. Todo peso da idade me afasta da espera, mas continuo. Silenciosamente continuo e aguardo, procuro desafogar-me para não inundá-la com meu amor. O tempo do beijo não passou, o tempo do nosso Tempo não passa jamais. Ainda úmido pela tua boca, ainda quente pelos teus olhos, procuro os limites do meu corpo no teu (ainda que distante, ainda que distância ainda que falta). Dobro-me em poesia na ânsia de te compor para além dos sonhos. Tenho medo de vê-la partir, de-fi-ni-ti-va-men-te. Medo bobo de ter teu corpo se desfazendo em injúrias e distrações, de ter teu corpo escapando pelos meus dedos. O vento da noite atravessou a janela, faz frio, uma música me lembra você. II "Há uma maçonaria do silêncio que consistem em não falar dele e...