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Mostrando postagens de 2020

O Fascismo nosso de cada dia

De todas as formas as fôrmas de todos formam tod-s.  
Tempos estranhos [fechados], passos insanos. Isolados. Distópico princípio diastólico Baco insistente ao diabólico . 
Tudo assim, s u s p e n s o,  sem lugar e causa aparente. 

Luminescência ou presença escondida

                                             A Clarice ... foi quando li Verissimo . Deste jeito, tomado de espanto, percebi que você já era em mim e que meu rosto (filho do meu mais profundo silêncio), era composto por tuas palavras.   Sou Chico sendo Clarice.
Poesia espelho,  pedra terço.    Poesia café, ponte história. Poesia basta.

Horizonte-quarto e rua-Morte

O tempo passa e-nada-muda. Os dias são iguais, as horas correm iguais.  Iguais: janelas-grades, portas-grades.  Meu sono não amanhece. Permaneço, palíndromicamente, pendulando entre o desespero e a indiferença. Março-dezembro se aproxima, i n c a n s a v e l m e n t e   PERDURO. 
João fala de árvores, mas Alfredo entende comunismo. Helena, por sua vez,  argumenta sobre sua pesquisa e Fernando, que não entende nada do assunto, afirma que é tudo "questão de opinião". Francisco, poeta manquitolante, que  se interessa pelo o "impoderável" na vida, sorri ao escutar que sua a poesia é obscura.  
Quem se sou não sendo e estou não estando?

Uma carta para a dama reluzente

Surdamente,  como recomendara meu mestre,  penetro no reino das palavras.   Por descuido empresto teu rosto as esquinas e,  involuntariamente, acresço aos dias as marcas dos teus passos. Surdamemte, ano após ano, folheio os livros que não escrevemos.   O tempo não passa no reino das palavras e teu nome salta por entre letras que não encontro. Você ainda dorme?    Freud  nos  une e a liberdade tem gosto de prisão.   Ainda não entendo sua carta,  talvez por isso ainda escreva e procure no texto outras formas de compreensão.    No reino das palavras o Amor se veste de silêncio para enganar os poetas.

Carta ao Poeta

Sempre me pego tentando ser o melhor que posso, mesmo tendo a pré-ciência que nada será suficiente; por vezes tenho a impressão que sigo numa estrada que jamais terá fim, mas isso não incomoda. Acostumado com o caminho, projeto meus dias estacionado no “limite” das minhas possibilidades: como amigo, como homem, como pessoa, como parceiro. Não combino as letras pela pretensa angústia que me acompanha, tão pouco “depressiono” os traços do meu horizonte (Severo horizonte), na expectativa de dar sentido a dor que sinto e, com isso, tornar-se algo para além de poeira das estrelas.   Reconheço os meandros revolucionários da Escrita,  de como Shakespeare recriou o humano e como Clarice (armada de seu silêncio) teorizou sobre as nossas formas de aprendizagem. Mas,  meu texto nunca teve este Oceano de ambição. Minha “máquina literária” não diz do mundo e da Tabacaria apenas o Café me acompanha.  Escrevo para esquecer, por não suportar-me. Escrevo,  por não ter coragem su...

Ao bruxo de ressaca

a Machado de Assis Espero, com mãos pensas e corpo curvo, tal qual O Itabirano, este que de literato virou bruxo e de bruxo Imortal. Mergulho na máquina, mas ela some; não encontro “Cosme velho” no Mundo,  vasto mundo – não ainda. Espero. Falta-me Poesia? Há quem diga, eu não digo (pura ousadia nada Juvenil); a idade chega, há um tempo para tudo, inclusive para a Ressaca. 

Poema com o corpo

T-eu  corpo M-eu

Do Amor

I " Que se espere. Não o fim do silêncio, mas o auxílio bendito de um terceiro elemento: a luz da aurora”  (LISPECTOR, O livro dos prazeres)   A solidão do meu passado se esquiva, se esguia e, com algum esforço, encontra a solidão do teu passado. Todo peso da idade me afasta da espera, mas continuo. Silenciosamente continuo e aguardo, procuro desafogar-me para não inundá-la com meu amor. O tempo do beijo não passou, o tempo do nosso Tempo não passa jamais. Ainda úmido pela tua boca, ainda quente pelos teus olhos, procuro os limites do meu corpo no teu (ainda que distante, ainda que distância ainda que falta). Dobro-me em poesia na ânsia de te compor para além dos sonhos. Tenho medo de vê-la partir, de-fi-ni-ti-va-men-te. Medo bobo de ter teu corpo se desfazendo em injúrias e distrações, de ter teu corpo escapando pelos meus dedos. O vento da noite atravessou a janela, faz frio, uma música me lembra você. II "Há uma maçonaria do silêncio que consistem em não falar dele e...
Toda prosa presa, verso livre não quero preso; meu corpo ao teu, meu gosto ao teu. Atado queima a cama, a casa, o credo... Toda prosa penso,  canto todo o encanto dos teus cantos. Pescoço, costas, percorro, arranho  e mordo. Sinto todo teu tremer. Toda prosa é pele tua, é pelo teu. Falta ar, falta tempo, falta vida. Desejo, desejo-fome, tanta é a fome, que morrer de Amar eu Sou.  

O desespero e a náusea

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. (Drummond - A flor e a náusea) Em vão procuro matérias sobre o futuro, não há futuro. As ilusões e os achismos superfaturam escolhas e decidem vida-morte. Em vão marchamos? Procuro os traços que organizam o presente, mas não os encontro. O erro insone vitima majoritariamente os postos na margem e o futuro pendula no abismo. Do planalto ressoam clarins, loucuras apagam o verde flâmula e partilham o assombro. O medo grita, gritamos todos, mas e daí? Todos também morrem. Estanho é vida e entranha na veia, entranha e decide morte-vida. Dezessete vezes as mãos reescrevem o passado, dezessete vezes pesa sobre a pena o terço de um tempo enlouquecido - escrevo liberdade e tolamente lê-se vermelho. Nenhuma flor varou a madrugada ou o chão de concreto da grande cidade. Florestas queimam frente a ignorância e a planície terrena. Astrólogos mentem, juízes perjuram, generais aplaudem e o capitão realiza a gestão do medo. A terra de ...

Poema para um pós-mundo-pandêmico

Nunca mas serei o mesmo Nunca mais o mesmo Nunca Serei Nunca mais Nunca Nunca mais Serei Nunca.

Atotô

Silêncio! Silêncio, escuta,  espera.  S ilêncio,  segura a fera e cura a alma doente. Silêncio! Silencio, serena: a fala a fé  a força, o olhar. Acolhe... Silêncio, caminhe...

Sobre o Amor

Amar é conversa,  é soma de olhares e  de silêncio; resumo dos encontros e também d e s  e n c o n t r o s; Amar é gesto de combate, aventura de cismas e  avanço  sorrateiro (disperso em pedaços de cor).                                          Amar é residir no vento, no tempo perder-se e no beijo -  fusion de l'amour - secar de prazer.

Amor infinito

Minha letra procura a forma, a fôrma, mas não encontra  - não te encontro;  habito um vazio-não (como teus olhos não-castanhos). Sou todo verso, mesmo depois, mesmo... Amor termina em despedida, mas ainda  hoje  espero, silenciosa espera;  silenciosamente seguro este desejo e me escondo, fantasiado de distância. Será que me engano? Quem não se engana? Minha letra vasculha nossas lembranças - apenas frio; nada se impõe.  Minha letra vasculha e  nada há. Onde estão tuas esquinas? Compor-me em versos é uma saída, mas até quando? O Amor, sempre me parece maior: maior que o verso, maior que   beijo, maior que o corpo, maior que a vida. é mesmo sabido. Todo Amor é para sempre amável?  Não sei, parece-me que o limite do amor é a memória. Esquecer é  o sustentáculo  de toda  sanidade. Minha Letra não encontra mais tua fôrma,  mas a v...