O desespero e a náusea
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. (Drummond - A flor e a náusea) Em vão procuro matérias sobre o futuro, não há futuro. As ilusões e os achismos superfaturam escolhas e decidem vida-morte. Em vão marchamos? Procuro os traços que organizam o presente, mas não os encontro. O erro insone vitima majoritariamente os postos na margem e o futuro pendula no abismo. Do planalto ressoam clarins, loucuras apagam o verde flâmula e partilham o assombro. O medo grita, gritamos todos, mas e daí? Todos também morrem. Estanho é vida e entranha na veia, entranha e decide morte-vida. Dezessete vezes as mãos reescrevem o passado, dezessete vezes pesa sobre a pena o terço de um tempo enlouquecido - escrevo liberdade e tolamente lê-se vermelho. Nenhuma flor varou a madrugada ou o chão de concreto da grande cidade. Florestas queimam frente a ignorância e a planície terrena. Astrólogos mentem, juízes perjuram, generais aplaudem e o capitão realiza a gestão do medo. A terra de ...