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Mostrando postagens de agosto, 2020

Carta ao Poeta

Sempre me pego tentando ser o melhor que posso, mesmo tendo a pré-ciência que nada será suficiente; por vezes tenho a impressão que sigo numa estrada que jamais terá fim, mas isso não incomoda. Acostumado com o caminho, projeto meus dias estacionado no “limite” das minhas possibilidades: como amigo, como homem, como pessoa, como parceiro. Não combino as letras pela pretensa angústia que me acompanha, tão pouco “depressiono” os traços do meu horizonte (Severo horizonte), na expectativa de dar sentido a dor que sinto e, com isso, tornar-se algo para além de poeira das estrelas.   Reconheço os meandros revolucionários da Escrita,  de como Shakespeare recriou o humano e como Clarice (armada de seu silêncio) teorizou sobre as nossas formas de aprendizagem. Mas,  meu texto nunca teve este Oceano de ambição. Minha “máquina literária” não diz do mundo e da Tabacaria apenas o Café me acompanha.  Escrevo para esquecer, por não suportar-me. Escrevo,  por não ter coragem su...

Ao bruxo de ressaca

a Machado de Assis Espero, com mãos pensas e corpo curvo, tal qual O Itabirano, este que de literato virou bruxo e de bruxo Imortal. Mergulho na máquina, mas ela some; não encontro “Cosme velho” no Mundo,  vasto mundo – não ainda. Espero. Falta-me Poesia? Há quem diga, eu não digo (pura ousadia nada Juvenil); a idade chega, há um tempo para tudo, inclusive para a Ressaca. 

Poema com o corpo

T-eu  corpo M-eu

Do Amor

I " Que se espere. Não o fim do silêncio, mas o auxílio bendito de um terceiro elemento: a luz da aurora”  (LISPECTOR, O livro dos prazeres)   A solidão do meu passado se esquiva, se esguia e, com algum esforço, encontra a solidão do teu passado. Todo peso da idade me afasta da espera, mas continuo. Silenciosamente continuo e aguardo, procuro desafogar-me para não inundá-la com meu amor. O tempo do beijo não passou, o tempo do nosso Tempo não passa jamais. Ainda úmido pela tua boca, ainda quente pelos teus olhos, procuro os limites do meu corpo no teu (ainda que distante, ainda que distância ainda que falta). Dobro-me em poesia na ânsia de te compor para além dos sonhos. Tenho medo de vê-la partir, de-fi-ni-ti-va-men-te. Medo bobo de ter teu corpo se desfazendo em injúrias e distrações, de ter teu corpo escapando pelos meus dedos. O vento da noite atravessou a janela, faz frio, uma música me lembra você. II "Há uma maçonaria do silêncio que consistem em não falar dele e...