Carta ao Poeta
Sempre me pego tentando ser o melhor que posso, mesmo tendo a pré-ciência que nada será suficiente; por vezes tenho a impressão que sigo numa estrada que jamais terá fim, mas isso não incomoda. Acostumado com o caminho, projeto meus dias estacionado no “limite” das minhas possibilidades: como amigo, como homem, como pessoa, como parceiro. Não combino as letras pela pretensa angústia que me acompanha, tão pouco “depressiono” os traços do meu horizonte (Severo horizonte), na expectativa de dar sentido a dor que sinto e, com isso, tornar-se algo para além de poeira das estrelas. Reconheço os meandros revolucionários da Escrita, de como Shakespeare recriou o humano e como Clarice (armada de seu silêncio) teorizou sobre as nossas formas de aprendizagem. Mas, meu texto nunca teve este Oceano de ambição. Minha “máquina literária” não diz do mundo e da Tabacaria apenas o Café me acompanha. Escrevo para esquecer, por não suportar-me. Escrevo, por não ter coragem su...