Foram as impossibilidades
vírgulaneamente, com licença de Clarice, começo um texto e, como Lori, também com café, procuro a epifania simbólica que demarca a presença do amor: silêncio-deus; amor-deus. Ulisses se foi, Baltazar também, restou apenas o amargo vazio das impossibilidades: a vida urge. Urgimos nós: por esta ausência sem nome, por este espaço sem corpo, por este beijo sem boca, por este peso sem paixão. Nós? Baltazar se foi: a vida passa. Passaria talvez, se a vida fosse vida, mas sendo apenas dias todos são iguais e, em nenhum deles, escuto o barulho dos teus passos no corredor ao lado. Se este vazio é o “silêncio-deus” e “amor-deus”, porque lacera-me tanto? Seria o Amor, mesmo estes que começam com vírgula, um “deus-em-si” feito para ser adorado na crueza dos nossos próprios corpos? Não sei. Lóri não me responde, Ulisses retornou. Baltazar se foi... Há também um tempo para o Amor? ...