Réquem em Libra II
Todo “até logo” carrega em si um bocado de adeus, nunca se sabe até quando - quando, aliás, é o limite do tempo repleto de possíveis – seu condicionante é o material telúrico da própria vida, encarnação da memória do ontem e de infinitos amanhãs. Hoje, por sua vez, é tempo sem registro – hoje é a presença sempre ausente, sempre fugidia, é a respiração que tento e não se completa por falta de ar. Ainda sim fantasio no hoje, ainda sim fantasio no hoje que sobe a montanha no hoje que queima de amor no hoje que se veste de surpresa. Logo, por outro lado, tem a duração de dois meses; logo tem o profundo tempo do “soneto do Amor total”, logo é todo tempo que escapa do quando, é o tempo palpável do infinito... Infinito, por outro lado, é o tempo sem “logo” e ou “quando” – infinito é o tempo da espera-pura. Todo “até logo” carrega em si uma vergonhosa crise fantasiada de medo do abandono, de despedida, d...