segunda-feira, 27 de maio de 2019

domingo, 19 de maio de 2019

                     à Carlos Drummond de Andrade

Joana amava Fernando
que amava Joana
que casou com Thiago
que amava Fernando
que casou com Adriano
que amava Alberto
que casou Vanessa
que nunca amou ninguém.

Francisco,
que sempre amou todo mundo,
preferiu viver de poesia. 

domingo, 12 de maio de 2019

Olhos verdes  fecham,
oráculos mentem,
cordões arrebentam,
e amores passam.

É hora de seguir.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

O bisavô escravocrata,
o avô eugenista,
o pai amava vargas
e o filho faz arminha.

O preconceito,
no Brasil,
é uma tradição familiar.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Distopia

A conservadora tinha amante,
o Filósofo esperança.
A Psicanalista era confusa,
o Professor depressivo.

A Aluna frívola,
o Separado carente.
A Ambientalista possessiva,
o Estudante desinteressado.

A Publicitária é passado
e
o Poeta está morto.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Deixa quieto,
Coração.
Meu corpo é pequeno,
minha alma é serena
- deste jeito
acabo fugindo pelos poros,
transpirando 
saudade,
de tanto pensar.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Uma carta sobre o Amor

Faço uso das palavras por não suportar os excessos,
transbordar em versos/prosas é meu jeito de manter a sanidade. Mas, 
por outro lado,
deixando esta suposta sanidade de lado, fundamental mesmo seria conseguir ultrapassar o papel
e,
assim,
ser capaz de utilizar as “letras e os espaços” para expressar aquilo que não é capaz de Ser:
estátuas sem mármores,
quadros sem tintas,
música sem som,
dança sem corpo
e Amor sem objeto amado.
Enquanto isso,
me dispo esperando ser atravessado pelo toque do impossível.

Impossível? Impossível é a sentença da minha vida,
é o termo que trago tatuado na pele e que,
por descuido, 
gravou minha alma.
Impossível fora nascer,
não desenvolver uma doença neurológica, praticar esportes, 
não ter problemas na fala. Impossível,
talvez, 
seria não amar
– sou, definitivamente, movido por uma força de me encontrar nos olhos do outro.

Não raramente me pego jogando dados com a vida, apostando alto. Viver sem “me colar” é um esforço, 
perco muitas partes minhas pelo caminho. 

Florescer Francisco é tão difícil quanto viver Veríssimo, nada parece bastar. 
Nada é exatamente a porção que gostaria de ter a meu respeito, talvez,
desta forma, 
fosse mais fácil exercer esta Ideia de liberdade que me acompanha.

Acredito na existência de um silêncio que seja anterior ao próprio silêncio, uma espécie de presença impossível de ser representada
e
que,
em momentos de profunda conexão,
transborda do olhar de quem se ama.

A escrita é o reflexo da fala, a fala é o produto do pensamento, o pensamento é aquilo que sobra do silêncio – subverter a ordem
e encontrar este silêncio primeiro é o objetivo maior que me impulsiona enquanto escritor.

No fundo,
depois de tudo,
talvez eu só queira escrever para entender o amor que me compõe em avos de silêncio.  

Oração canção, Rio

Rio, em tuas casas eu me aprendi abrigo e me forjei em tons do mar que abraça infinito. Rio, sobre tuas ruas desfilei-me encanto,  respirei-...