segunda-feira, 29 de maio de 2023

Se eu me sobrevivo
como saber se canto ou morte,
se dor ou gozo?

Se eu me sobrevivo
como saber se letra ou lágrima,
se sorriso ou lamento?

Gostaria de ir-me
por completo, por partes,
desde que eu-me-vá.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Recomeço

In-cansavelmente 
continuo,
é
a única forma que conheço para ser quem eu sou, 
mesmo sem saber se estou sendo;

nunca fui bom com planos
no geral, 
é o acaso que guia meus passos 
e controla meus dias, minhas noites. 
 
Amei com desespero,
ajudei com culpa,
acompanhei com medo,
vivi na Solidão.
 
Muito pouco fiz com o pouco que me foi dado
e
também muito pouco faria com muito.
 
Gostaria de não existir quando não existisse mais;
continuar
é correr o risco de que a infinitude de 
minhas angústias sejam encontradas
pelos escafandristas do verdadeiro Chico.
 
Gostaria
de poder sumir completamente 
logo 
após 
o fim do meu tempo; se pudesse, na verdade,
iria
me apagando aos poucos, 
sumindo
sor-ra-tei-ra-men-te das lembranças alheias.
 
Meu orgulho lustroso,
minha vaidade acolhedora,
minha despedida inesperada
e a raiva carinhosa 
 - o melhor de mim é avesso.
 
Observo as ondas que se encontram com as pedras do Arpoador, o tempo parece não passar por ali;
queria ser como o mar... Mas,
definitivamente,
não
sou capaz de gerar meu próprio horizonte.
 
Estou só e não me sei
e se me soubesse creio que já não saberia mais nada.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Repentinamente

  ...e de toda sorte:

quando 
não se queriam; 
quando
não se buscavam;
quando 
não se tocavam,
quando
não se beijavam;

dias-anos
saudade-é.

domingo, 2 de outubro de 2022

domingo, 21 de agosto de 2022

Jóquei

acordei,
já era tarde,
troquei o almoço pelo fino trato da aurora;

não me desabotoei das lembranças,
quis o filme tolo
e a cerveja estupidamente gelada;

não resisti.
Folheando o livro da Campilho
retornei:

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Um corpo que pesa é um corpo que impõe - II

: e o coração acelera, a respiração falta, o corpo treme

... e Chico repousa suas águas nos pés do outro
e acalma seu corpo com o Frio, com
O-frio
que emana de sua impávida beleza ancestral. 
 
bem depois,
na velha manhã que atravessa a também velha cortina
eles acordam
e no espelho
o
resultado
das ásperas mãos de Chico sobre meu corpo frágil,
do áspero beijo-encontro tolamente permitido
da alma (minha antes-alma) que agora exaspera de paixão
e descontrole;
no espelho
o resultado-idealizado de um momento que é sempre-espera.
 
depois, bem depois dos dias,
já cansado de sentir o peso do teu corpo movimentando-se sobre o meu,
na segunda manhã após o tempo infinito e já sem cortinas
só ele acorda
só ele se veste
só ele se banha
só ele é espelho
só ele
e eu-só.


Oração canção, Rio

Rio, em tuas casas eu me aprendi abrigo e me forjei em tons do mar que abraça infinito. Rio, sobre tuas ruas desfilei-me encanto,  respirei-...