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Mostrando postagens de 2017

Os quatro tempos do amor

O amor acabou. Sem fazer alarde, sem fogos de artifícios, sem beijos numa tarde/noite de domingo,  ele  simplesmente  se  foi.  A espera foi longa,  dolorosa,  absolutamente intransponível  até que me chegasse o tempo de ir além do Amor.  Aliás,  além é uma coisa que não me toca neste momento; contrariamente,  estou preso no tempo deste  sentimento que não existe ( ? )  e reviso minha vida na busca pelo vazio. Fundamental para o desamar seria não sentir.  Não sentir o cheio do perfume,  do corpo, do hálito. Haverá, um dia,  que canções não falem de quem se ama? Uma interrogação é sempre um jeito de seguir, de terminar um parágrafo, de terminar uma aula ou palestra, mas  jamais de terminar um amor.  Amor pede exclamação, intensidade, quiçá ódio.  Aquém de toda intensidade, ainda me fustiga na alma as respostas indolentes e as magérrimas decisões:  é impossível...

Outra vez a fome

Outra vez atravesso em tua boca o frio da noite. Outra vez teus braços tocam meu espírito e marcam minhas costas. Passeio com minhas mãos pelo seu corpo e deslizo por cada ímpeto de curva... Acarinho levemente teus mamilos, seguro teus cabelos, me guio no sabor do ventre - que visito profundamente , até não caber mais de mim. Encontro sua nuca, deixo marcas em teu pescoço e arrepio em tuas costas. Teu gemido perde-se num tempo qualquer. Extasiado sorrimos - a fome de querer nos assola.

Um pouco de mundo

Um pouco de tudo é negação, outro pouco é prece e espera de um mundo sempre a esperar. Um pouco da vida é guerra, vestígios da fera, a espera do motivo santo ou nem tanto - vertiginoso pranto de Marília sem Dirceu. Em vão discuto os meus, os seus e o após. Um pouco de tudo é esperança, maldita criança que nunca cresce e que se esquece por isso que outro pouco é agonia, desprezo, angústia: tragédia a acontecer. Um pouco do mundo é desistência, um pouco é estrada e tempo presente - postado nas mãos e saturado na retina. Um pouco do mundo me fez e outro pouco eu faço acontecer.

E se...

E se eu tivesse escolhido a estrada de tijolos verdes naquela fatídica manhã? E se,  por algum motivo,  o mundo   deixasse de ser amarelo? Deus haveria de me esperar  e  me livraria da bruxa má? Mas,  como ficaria o amém ao final da oração? E se o País de Aslam,  em toda sua glória e esplendor,  fosse apenas uma ficção? Quantas perguntas dobrando a esquina.  Quantos pontos de interrogação me acompanham,  como posso querer responder?  E será preciso? E se o inverno tivesse chegado antes do verão? E se o metrô me deixasse em um mundo repleto de magia? E se as sinapses fossem emitidas pelo coração? E se... Precisaria a Vida de um “leão covarde” se tudo fosse apenas “reto”  ou “preto no branco”? Precisaria o Corpo  de um “homem sem coração”  se houvesse mais respeito com o diferente? Precisaria a Morte de um “espantalho sem corpo” se ela fosse nossa amiga? Então,  como seria ...

Minha máquina do mundo se abriu

Já não havia mais horas nos ponteiros do relógio. O tempo, bailando sobre mim  delineava um emaranhado de estradas, de corpos e de esquinas que não virei. No final de todos os caminhos (Inexplicavelmente unidos), um Anjo me sorria contente e um demônio timidamente também sorria. Já não existiam mais janelas para se abrir, portas para trancar ou vontade para morrer - eu Era sem saber Ser. Sufocando, sufocado, perdi-me silêncio  e desespero,  eram tantos equívocos,  tantas escolhas infundadas.  O Anjo já não sorria mais. Um pouco de chá para serenar, um pouco de café...  Há como serenar o silêncio?  Ele controla, impõe  e sufoca...  Um comprimido para acalmar?  Nada acalma e já não quero mais entorpecer. Eu falo.  Grito, grito bastante,  mas  ninguém me escuta para além das paredes. O demônio enxuga as próprias lágrimas. O sono me chega,  as horas continuam...

Saudade infinita

O poema prometido tem sabor de Passado, de tempo passado,  de história passada  - sem passos, apenas e s p a ç o.   Parece confuso? Sempre foi... não? Tua jaqueta de couro combina com a minha pele, perfeita junção manifesta. Como perfeita, alias, ficou minha camisa rosa em teu corpo também rosa, também suave... Não pedi teu futuro ou aspirações, tão pouco tua alma pedi. Implorei-te apenas um beijo,  quis teu hálito e depois...  Talvez, quem sabe, fosse apenas a esperança  de te ver ceder  e me aquecer  - Fazer o tempo parar? Tudo mudou, não nego.   Nego  apenas  que não desejo que não te quero que não te espero.  Mas,  porque me negas?  Meu silêncio já não te encontra mais e teus olhos castanhos não encontram os meus. Estou só, p reso numa noite que não aconteceu. E você,  será que existe para além destes versos? Cansado,  agora  anseio apenas o dia em que sentirás meu b...

Um poema sobre a dama do mundo

Eu ainda caminho, depois e depois...  Já não sinto meus pés  e meus passos também já não encontro - sou todo horizonte. Teu quarto                  é                     apenas                                  Lembrança. Será esperança? Ainda gosto de ouvir o som da chuva batendo no toldo. Eu era o Toldo? Você era a Chuva? Maldita mania de não se abrir, de se entregar apenas aos versos. Já não tenho mais metáforas para decifrar, apenas o frio de uma noite                       e um desejo infinito. Teus pelos castanhos, tua pele marfim, o jeito que seu corpo mergulhava no meu.  Ninguém jamais me olhou como você,  Ninguém jamais me olhou, ninguém...  Escolhi o certo, fui cor...