Postagens

Mostrando postagens de julho, 2019

Carta sobre a minha poesia

Meus poemas não são o resultado final das minhas angústias, dos meus lamentos ou das minhas alegrias  - como  discípulo de Drummomd  "não faço poesia da gota de bile". Por isso,  confio às letras apenas o impossível  - aquela parcela de vida que,  mesmo sendo vida,  jamais foi experimentada. Não sei,  precisamente,  como faço para passar todos os níveis, todas as reentrâncias, das dores que finjo sentir  - aliás,  anormalmente, raramente sinto algo. Meu texto não é a tentativa, ainda que fortuita, de uma compreensão de si - jamais assumiria este posto de "fisiologista da alma humana". Minha produção, pequena ou grande, não importa,  é o resultado daquilo que poderia ter sido - o que foi é matéria do historiador. Escrevo porque ainda há vida.
Na pretensão de poeta, juntei  letra  e sentimento, sonho  e espaço vazio - castelo de poesia. Perdi Sol, perdi-me tempo e,  no mesmo intento, deixei-me  calmaria.