sábado, 27 de julho de 2019

Carta sobre a minha poesia

Meus poemas não são o resultado final das minhas angústias, dos meus lamentos ou das minhas alegrias - como discípulo de Drummomd 
"não faço poesia da gota de bile". Por isso, 
confio às letras apenas o impossível - aquela parcela de vida que, 
mesmo sendo vida, 
jamais foi experimentada.

Não sei, 
precisamente, 
como faço para passar todos os níveis, todas as reentrâncias, das dores que finjo sentir 
- aliás, 
anormalmente, raramente sinto algo.

Meu texto não é a tentativa, ainda que fortuita, de uma compreensão de si - jamais assumiria este posto de "fisiologista da alma humana". Minha produção,
pequena ou grande,
não importa, 
é o resultado daquilo que poderia ter sido - o que foi é matéria do historiador.

Escrevo porque ainda há vida.

Um comentário:

Sebastiao disse...

"Não sei, precisamente,
como faço para passar todos os níveis,
todas as reentrâncias,
das dores que finjo sentir
- aliás, anormalmente,
raramente sinto algo."

Tenho severas dúvidas se esse termo "anormalmente" se enquadra como atípico ou típico da nossa condição de ser humano.

Oração canção, Rio

Rio, em tuas casas eu me aprendi abrigo e me forjei em tons do mar que abraça infinito. Rio, sobre tuas ruas desfilei-me encanto,  respirei-...