Carta sobre a minha poesia

Meus poemas não são o resultado final das minhas angústias, dos meus lamentos ou das minhas alegrias - como discípulo de Drummomd 
"não faço poesia da gota de bile". Por isso, 
confio às letras apenas o impossível - aquela parcela de vida que, 
mesmo sendo vida, 
jamais foi experimentada.

Não sei, 
precisamente, 
como faço para passar todos os níveis, todas as reentrâncias, das dores que finjo sentir 
- aliás, 
anormalmente, raramente sinto algo.

Meu texto não é a tentativa, ainda que fortuita, de uma compreensão de si - jamais assumiria este posto de "fisiologista da alma humana". Minha produção,
pequena ou grande,
não importa, 
é o resultado daquilo que poderia ter sido - o que foi é matéria do historiador.

Escrevo porque ainda há vida.

Comentários

Sebastiao disse…
"Não sei, precisamente,
como faço para passar todos os níveis,
todas as reentrâncias,
das dores que finjo sentir
- aliás, anormalmente,
raramente sinto algo."

Tenho severas dúvidas se esse termo "anormalmente" se enquadra como atípico ou típico da nossa condição de ser humano.

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