Carta sobre a minha poesia
Meus poemas não são o resultado final das minhas angústias, dos meus lamentos ou das minhas alegrias - como discípulo de Drummomd
"não faço poesia da gota de bile". Por isso,
confio às letras apenas o impossível - aquela parcela de vida que,
mesmo sendo vida,
jamais foi experimentada.
Não sei,
precisamente,
como faço para passar todos os níveis, todas as reentrâncias, das dores que finjo sentir
- aliás,
anormalmente, raramente sinto algo.
Meu texto não é a tentativa, ainda que fortuita, de uma compreensão de si - jamais assumiria este posto de "fisiologista da alma humana". Minha produção,
pequena ou grande,
não importa,
é o resultado daquilo que poderia ter sido - o que foi é matéria do historiador.
Escrevo porque ainda há vida.
Comentários
como faço para passar todos os níveis,
todas as reentrâncias,
das dores que finjo sentir
- aliás, anormalmente,
raramente sinto algo."
Tenho severas dúvidas se esse termo "anormalmente" se enquadra como atípico ou típico da nossa condição de ser humano.