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Mostrando postagens de maio, 2021

Poeminha da Alteridade

Eu, se não nascesse Eu, nasceria  Outro; seria radicalmente outro-eu,   sem nenhuma semelhança. Então,  como posso  condenar um Eu   que poderia ser o meu,  se nasce Eu ao invés de outro-eu,  por ser exatamente o Eu que ele é? 

Engenho

Passeio sobre teu corpo em cada sonho que tenho, mas já não sei se sonho ou se acordo. Antes, talvez  o Terço tivesse feito algum efeito, mas nada te afasta ou aproxima - você permanece.   Um pouco de fobia transforma convenções em pontes intransponíveis e a chave esquecida (enterrada na areia,  escondida na areia, vivemos na areia, ficamos na areia) grafa  a memória de um tempo não cumprido. Longe é a estrada que persigo, que atravesso poeticamente;  longe demais, talvez, tenha ido minha a esperança – não me parece sanidade fotografar o amor. Aliás,  como é possível não amar um amor que se sentia sem saber que já era Amor? Sofro como sofrem todos, nenhuma gota além;  querer-te  não é prisão - apenas sonho,  apenas encanto, apenas distraio meu tempo na busca pelo amanhecer das tuas mensagens. Ontem é tempo de aprendizado, ontem sonhei com você, ontem acordei em paz  e só por isso escrevo.  Uma parte de mim mantém-se quieta...

Uma tese sobre a morte, uma tese sobre a vida

I o verso não escrito o tempo que não chega o corpo que não alcanço  a boca não-encontro   a saudade que não destilo  o espaço que não ocupo o Lembrar que não acalma  o Amor que não amanheço   II O verso escrito O tempo que chega O corpo que alcanço A boca-encontro   a saudade que destilo  o espaço que ocupo o Lembrar que acalma  o Amor que amanheço