nos versos da noite me atrevo, sem texto a t r a v e s s o os momentos e entre os solstícios do tempo reproduzo as cores de um futuro que é sempre passado. de toda sorte caminho por entre as impossibilidades procuro a negação escondida em cada possível, o espaço entre os caminhos é o desvio que retorno em avanços; de toda sorte o rosto que gravo não me deixa ser e me decompõe: não sou Carlos e nem Gauche - o máximo me leio em Drummond; clariceanamente aprendo, mas não sei dizer se sei as coisas que sei ou se simplesmente as coisas me são e me dão tudo aquilo que recebo, mesmo sem saber como ou o que é receber; desapego no apego e dúvida na certeza disponho de erros em demasia, de medos em demasia, vontades demasiadas e alcanço a vertigem-de-si-em-si d e m a s i a d a m e n t educada, como a vida que me pede a constância balançante das chamas. sou o rosto escondido atrás do espelho.