domingo, 28 de junho de 2026

Oração canção, Rio

Rio,
em tuas casas
eu me aprendi abrigo
e me forjei
em tons do mar que abraça infinito.

Rio,
sobre tuas ruas desfilei-me encanto, 
respirei-me em versos
e me compus humano.

Rio,
me vi espelho
em tuas mil humanidades
e em cada uma das tuas deidades
(do repique-sacro do desfile
aos braços abertos a acolher).

Rio,
por favor,
converse com Sebastião
(minha
saudade-musa),
sobre
poetar ao mundo
tua gira de beleza
e poesia.

sábado, 30 de maio de 2026

Clube da esquina

Eu teria te amado mil vezes
por mil dias
em mil momentos diferentes

e depois

te amaria em cada espaço restante destas mil vezes
dos mil dias
e de todos os mil momentos.

Eu seria eu mesmo sendo 
exatamente aquilo que sou 
quando sou com você
e que só posso ser quando sendo eu-você.

Eu me dobraria em muitos lugares para estar depois de todos os estares
e todos lugares
onde só estou se estou com você.

Eu aprenderia amor-amar 
se o amar-amor tivesse sido
fosse tudo poesia para além deste próprio verso.

terça-feira, 31 de março de 2026

Aparente-se

atravesso-me
em momentos
e
entre solstícios do tempo,
reproduzo
as cores do futuro-passado;

de toda sorte,
procuro o escondido 
de cada possibilidade impossível
de cada espaço entre os não-caminhos,
de cada desvio retornado dos avanços;

o rosto que gravo não me deixa ser
e se decompõe
esvoaçada(mente)...

não sou Carlos (ainda 
que Gauche)
e
clariceanamente aprendo,
sem saber se de fato sei as coisas que sei
ou
se simplesmente as coisas me são
e me dão tudo aquilo que não sei receber
e me dão tudo aquilo que de fato recebo
e me dão tudo aquilo...

de toda sorte,
disponho 
de erros em demasia
de medos em demasia
de vontades demasiadas
e
alcanço 
a vertigem-de-si-em-si
(demasiadamente educada)

sou o rosto aparente atrás do espelho.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

não me habito
e, 
talvez, por isso,
mantenho-me
debruçado no entre (saturado de meios, 
de metades e de mormaços).
 
Estico-me passado-futuro,
silêncio:

sábado, 17 de janeiro de 2026

Uma última noite

Por esta noite,
o tempo
do nosso tempo não passa mais;

por esta noite,
tudo será como rascunhado,
nenhuma descoberta
nenhum sopro de diferenciação
(teremos
apenas o reconhecível,
o reconhecível nosso).

Por esta noite:
a presença-pele,
o afago-ritmo,
o prazer-mudez,
o segundo-intimo.

Por esta noite,
seremos intermináveis.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Da hospitalidade para consigo

 “O outro habita antes de mim”
Derrida

I
acaso te encontras
onde vês
os passos que te levaram?
 
II
acaso te vês
onde levaram
os passos que te  encontras?

III
acaso te levaram
onde encontras
os passos que te vês?

terça-feira, 30 de setembro de 2025

do espanto riso
do escondido lição
do submerso futuro

do enquanto fico
do descompasso saciedade
do percebido Não

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

escrevo
para 
os
do escuro,
para 
os indesejáveis
e inaudíveis;
 
sou entre os ineptos
e apenas
por 
fra
g
men
tos,

escrevo 
ossos.

terça-feira, 22 de outubro de 2024

sábado, 21 de setembro de 2024

sábado, 1 de junho de 2024

o Sol acordou antes da manhã, 
o horizonte escuro-claro ainda despontava no céu;
 
água para o café, 
água para o corpo 
um pouco de Bethânia para o sorriso teimoso;

já era quase-hora quando finalmente pensei em você. 


Todas as manhãs do mundo

o puro-acaso,
o ante-ocaso, 
o infinito jogo-de-manhãs;

p a c i e n t e  m e n t e 
escombro palavras
e entorno metáforas; 

respiro;





segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Poema pessoal

...quero aprender-me numa língua nova, 
conhecer-me 
num mundo totalmente novo, 
mas.
acostumo-me
- meu 
texto 
é 
cansaço.

Ontem 
            teve Sol, não vi;
            teve samba, não fui;
            teve dança, não sei; 
            teve riso, dormi.


sexta-feira, 14 de julho de 2023

Novela da vida humana

Não tenho problema com meus delírios, importa-me 
apenas
que sejam de amor
ou das infinitas possibilidades de controlar o tempo e de morar no instante. 

Não tenho dificuldades com a morte. 
Morro 
sempre
com as despedidas não quistas, 
com os lamentos-solitários 
e com a força que faço para esquecer das coisas. 

Importo-me
em não morrer de gozo 
ou no passado caudaloso e "ancorante". 
Escolher onde se morre é a única forma de liberdade-possível. 

Há muito tempo o Sol nasce 
e
por muito tempo ele ainda irá nascer. Eu não. Não existia antes deste poema, tão pouco
existirei 
por muito tempo depois das palavras secarem (e elas secarão). 
Somos um acumulado de memória em desgaste nada-infinito. 

Um esposo qualquer
do prédio
               pulou
e,  ainda assim, manteve-se vivo; um outro
simplesmente deixou de acordar.

Uma filha fugiu do mundo
e hoje ela é só-casa; 
uma outra mora na Alemanha
e vai todo dia ao parque.

Esperar com leveza, 
escutar com fervor, 
sonhar  com limites,
viver sem orientação 
- ensaios de vida me transformam naquilo que [jamais] serei. 

Nada é superior aos dias. Por outro lado, 
todas as estradas terminam no fim da história descolorindo:
os asteroides com rosas solitárias,
os lírios do campo,
a clareza dos enigmas,
os corpos em aprendizagem e
a tabacaria-severina. 

O menino que não queria crescer sempre cresce.

quarta-feira, 21 de junho de 2023

O corpo que pesa é um corpo se impõe III

Sob tua ponte ensolarada
pendula

antigo corte-seco-pulso que já não é mais corte,
que 
já não é paisagem
e nem é saudade;
 
Sob tuas águas santas, 
versifico
a cura-seca
que 
é só labuta,
que 
é só canção,
que 
não é mais visita, nem é tristeza.
 
O chá das cinco, o café 
dos dias e a cerveja das noites. 
A doce esperança-presença me fez casa

o corpo no espelho já não é só corpo,
ele é também estrada-fim.
 
O passado anda-vive, mas
o futuro abraça. O passo de dez anos
é a rede
na fria manhã de outono
e em todas que ainda estão por nascer.

Sob tuas ruas, 
pela primeira vez,
caminho
também 
as 
minhas 
pegadas.

O cansaço-triste,
a revolta-tola,
o desespero-imóvel 
– tudo poeira retornando ao vento.
O tempo-certo 
é 
sempre
o certo do próprio tempo.
 
Florescer sertão,
apaziguar Francisco,
respirar futuro,
viver nordeste.
 
Sou Chico,
não poeta.   

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Se eu me sobrevivo
como saber se canto ou morte,
se dor ou gozo?

Se eu me sobrevivo
como saber se letra ou lágrima,
se sorriso ou lamento?

Gostaria de ir-me
por completo, por partes,
desde que eu-me-vá.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Recomeço

In-cansavelmente 
continuo,
é
a única forma que conheço para ser quem eu sou, 
mesmo sem saber se estou sendo;

nunca fui bom com planos
no geral, 
é o acaso que guia meus passos 
e controla meus dias, minhas noites. 
 
Amei com desespero,
ajudei com culpa,
acompanhei com medo,
vivi na Solidão.
 
Muito pouco fiz com o pouco que me foi dado
e
também muito pouco faria com muito.
 
Gostaria de não existir quando não existisse mais;
continuar
é correr o risco de que a infinitude de 
minhas angústias sejam encontradas
pelos escafandristas do verdadeiro Chico.
 
Gostaria
de poder sumir completamente 
logo 
após 
o fim do meu tempo; se pudesse, na verdade,
iria
me apagando aos poucos, 
sumindo
sor-ra-tei-ra-men-te das lembranças alheias.
 
Meu orgulho lustroso,
minha vaidade acolhedora,
minha despedida inesperada
e a raiva carinhosa 
 - o melhor de mim é avesso.
 
Observo as ondas que se encontram com as pedras do Arpoador, o tempo parece não passar por ali;
queria ser como o mar... Mas,
definitivamente,
não
sou capaz de gerar meu próprio horizonte.
 
Estou só e não me sei
e se me soubesse creio que já não saberia mais nada.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Repentinamente

  ...e de toda sorte:

quando 
não se queriam; 
quando
não se buscavam;
quando 
não se tocavam,
quando
não se beijavam;

dias-anos
saudade-é.

domingo, 2 de outubro de 2022

Oração canção, Rio

Rio, em tuas casas eu me aprendi abrigo e me forjei em tons do mar que abraça infinito. Rio, sobre tuas ruas desfilei-me encanto,  respirei-...