quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Do outro lado do Rio

Ontem perdi um amor, em razão,
em postas de vento
(pelos dedos escorrendo,
em partes pequenas de não).

Ontem a noite não veio.
Não veio sonho
ou esperança. Em razão,
o dia também não passou,
perdi-me no tempo - entre brumas e ilhas

Ontem, dois passos secaram,
duas estradas se perderam:
sem caminho, sem horizonte
e sem função.

Um vento invadiu o quarto,
alojou-se nos móveis e nos livros,
levantou a coberta e desligou a televisão
(não havia riso do outro lado do rio)

Refém do amor, busquei o verso,
busquei-te em verso, mas
você não estava - não me via.
               
Em partes:
um passo de ontem,
um beijo do ontem,
um ontem de amor.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Um passo de só

Depois do verso:
   E s p a ç o
- Impróprio e amargo.

Depois do gosto
esperança reza,
  retesa
  velho fardo.

Depois,
Um passo de só:
  Eu-farrapo esperança,
  Vazio
  terço finito.

Perdido em trapos,
me dispo
  e em rastro eu faço
  o que não era fácil:
    sou todo tempo,
    todo vento
    - espero oposto.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Um pouco de tudo

À Carlos Drummond de Andrade
Um pouco de mim, um pouco de tudo,
um pouco do que faço é poesia.
Outro pouco
é o desejo de Não-Ser
e de não ver,
de abandonar a gravata e o chinelo.

O mundo é grande.
O mundo tem cores demais
amores demais
e no “entre”,
escondido em suas linhas,
eu cato as migalhas que sobram
e do meu “eu” teimoso
componho rostos que não conheço.

Um pouco de mim de mim é espaço,
é fantasma, é espectro do que posso
e que não quero poder.

Estou nu, estou velho, mas não há queixas.
Não me queixo,
aceito minha humanidade e suas loucuras.
Sou todo homem, não tenho começo
e nem fim:
me sigo no vento.

Inundado de versos,
sou todo silêncio...



segunda-feira, 25 de junho de 2012

De anima

O que é isso que “anima” o homem
e o impõe a seguir...
Seguir a estrada nova,
o anseio novo
a nova dúvida
                       e a nova conquista:
                       - o novo gozo.

Que vontade de Ser é essa
que nunca completa se faz?
Que desejo é esse de ser e ter
(De ser ouvido,
                          de ter razão)?

Não há traço faltando
e nem ruga que está por nascer.

Todo sonho é ausência,
toda esperança é desespero
e toda vida é começo, meio e fim

É preciso aceitar o espelho
e o furo na sola do sapato.
Não há luz e nem fim,
apenas a beleza do instante:
                                             do beijo infinito
                                             do imorredouro terror.

sábado, 2 de junho de 2012

Quatro segredos


Vasculho sua vida,
sei de cada passo
e de cada desejo manifesto
e de cada perfídia cometida:
eu vejo teus olhos não-castanhos.

Me finjo de santo.
Caso, procrio
e planto uma árvore.
Mas nunca estive por lá
- eram em tuas coxas que eu vivia.

Me escondo nos risos,
finjo leveza e fúria
sou perfeito nisso.

Sou todo em códigos:
me visto de amor,
de amor me dispo 
e de amor eu morro.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Tudo en-cena

É tudo cena:
o beijo é desvio da boca,
a mão é fantasma do corpo
e o desejo é lição de moral.

O querer é verso da atriz.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Quero um Amor

Quero um Amor que me encante, que me fascine, um amor com "A" maísuclo. Quero um Amor que me embale em teu colo sem que eu precise pedir. Quero um Amor que me entenda pelo toque, pelo olhar. Quero um Amor que me ensine passos novos - sem dor e sem horror. Quero um Amor que me beije quando distante e que me abrace, mesmo quando os braços não me alcançam.

Quero um amor inesquecível, destes que arrasam com o medo e que fazem ver a vida como ela é: Simples e Bela.

Oração canção, Rio

Rio, em tuas casas eu me aprendi abrigo e me forjei em tons do mar que abraça infinito. Rio, sobre tuas ruas desfilei-me encanto,  respirei-...