Morri, sem nenhuma preparação,
num belo alvorecer.
Não havia mais ontem
e nem amanhã,
apenas
a pena do eterno presente.
Devia ter dançado aquela última canção.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
Os quatro tempos do amor
O amor acabou.
Sem fazer alarde, sem fogos de artifícios, sem beijos numa tarde/noite de domingo,
ele
simplesmente
se
foi.
A espera foi longa,
dolorosa,
absolutamente intransponível
até que me chegasse o tempo de ir além do Amor. Aliás, além é uma coisa que não me toca neste momento;
contrariamente,
estou preso no tempo deste sentimento que não existe (?) e reviso minha vida na busca pelo vazio.
simplesmente
se
foi.
A espera foi longa,
dolorosa,
absolutamente intransponível
até que me chegasse o tempo de ir além do Amor. Aliás, além é uma coisa que não me toca neste momento;
contrariamente,
estou preso no tempo deste sentimento que não existe (?) e reviso minha vida na busca pelo vazio.
Fundamental para o desamar seria não sentir. Não sentir o cheio do perfume, do corpo, do hálito. Haverá, um dia,
que canções não falem de quem se ama?
que canções não falem de quem se ama?
Uma interrogação é sempre um jeito de seguir, de terminar um parágrafo, de terminar uma aula ou palestra, mas
jamais de terminar um amor.
Amor pede exclamação, intensidade, quiçá ódio.
Aquém de toda intensidade, ainda me fustiga na alma as respostas indolentes e as magérrimas decisões:
é impossível ser feliz sozinho.
jamais de terminar um amor.
Amor pede exclamação, intensidade, quiçá ódio.
Aquém de toda intensidade, ainda me fustiga na alma as respostas indolentes e as magérrimas decisões:
é impossível ser feliz sozinho.
Precisei de quatro anos para entender (ainda que parcialmente) a dinâmica da vida
e,
de posse de todo arrependimento afirmo: ela não falha.
O
final
de nossa história já esta premeditado, nossos passos atestam apenas a liberdade de escolher nossa queda no abismo – escolhi por companhia o desespero e a solidão.
e,
de posse de todo arrependimento afirmo: ela não falha.
O
final
de nossa história já esta premeditado, nossos passos atestam apenas a liberdade de escolher nossa queda no abismo – escolhi por companhia o desespero e a solidão.
A solitude me acompanhou toda vida, desde criança. Recolher-me sempre foi uma forma de encontrar saídas, minha cama era o meu deserto.
Hoje,
deito na rede procurando entender o fio que teceu meu destino
e como, tão abruptamente, esta solitude (tão característica da minha família) tornara-se solidão.
Em qual estação,
em qual esquina,
ficar sozinho tornou-se algo tão imensamente cruel.
Hoje,
deito na rede procurando entender o fio que teceu meu destino
e como, tão abruptamente, esta solitude (tão característica da minha família) tornara-se solidão.
Em qual estação,
em qual esquina,
ficar sozinho tornou-se algo tão imensamente cruel.
A solitude é um desejo do espírito,
de uma alma que retorna ao seu centro e encontra sua paz,
a solidão, por outro lado,
é um afastamento imposto (ninguém escolhe ser sozinho). Por isso,
não há como centrar-se quando se sai de casa abandonando seu grande amor,
ainda mais nesta casa, que é agora o constructo de uma “falsa-liberdade” que só aprisiona.
A solitude liberta, a solidão sufoca. Mas,
como ressignificar o abandono?
O Zen-budismo fala da possibilidade de mudar o passado, nesta esperança eu me consumo por inteiro.
de uma alma que retorna ao seu centro e encontra sua paz,
a solidão, por outro lado,
é um afastamento imposto (ninguém escolhe ser sozinho). Por isso,
não há como centrar-se quando se sai de casa abandonando seu grande amor,
ainda mais nesta casa, que é agora o constructo de uma “falsa-liberdade” que só aprisiona.
A solitude liberta, a solidão sufoca. Mas,
como ressignificar o abandono?
O Zen-budismo fala da possibilidade de mudar o passado, nesta esperança eu me consumo por inteiro.
Escrever é uma tentativa e, em alguns momentos, um alívio, mas jamais é uma saída.
Combinar letras,
pontos,
espaços
e sentimento,
é a maneira perfeita de destruir e criar mundos novos.
Escrever sobre o “amor de ontem” é uma maneira de gastar a angústia e,
por conseqüência,
deixar às claras aquilo que eu sempre quis entender.
pontos,
espaços
e sentimento,
é a maneira perfeita de destruir e criar mundos novos.
Escrever sobre o “amor de ontem” é uma maneira de gastar a angústia e,
por conseqüência,
deixar às claras aquilo que eu sempre quis entender.
Sou todo perguntas.
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Outra vez a fome
Outra vez atravesso em tua boca o
frio da noite.
Outra vez teus braços tocam meu
espírito
e marcam minhas costas.
Passeio com minhas mãos pelo seu
corpo
e deslizo por cada ímpeto de curva...
Acarinho levemente teus mamilos,
seguro teus cabelos,
me guio no sabor do ventre
- que visito profundamente,
- que visito profundamente,
até não caber mais de mim.
Encontro sua nuca,
deixo marcas em teu pescoço
e arrepio em tuas costas.
Teu gemido perde-se num tempo
qualquer.
Extasiado sorrimos
- a fome de querer nos assola.
Um pouco de mundo
Um pouco de tudo é negação,
outro pouco é prece
e espera
de um mundo sempre a esperar.
Um pouco da vida é guerra,
vestígios da fera,
a espera do motivo santo
ou nem tanto
- vertiginoso pranto de Marília sem Dirceu.
Em vão discuto os meus,
os seus
e o após.
Um pouco de tudo é esperança,
maldita criança que nunca cresce
e que se esquece por isso
que outro pouco
é agonia,
desprezo,
angústia: tragédia a acontecer.
Um pouco do mundo é desistência,
um pouco é estrada
e tempo presente
- postado nas mãos e saturado na retina.
Um pouco do mundo me fez
e
outro pouco eu faço acontecer.
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
E se...
E
se eu tivesse escolhido a estrada de tijolos verdes
naquela
fatídica manhã?
Deus
haveria de me esperar
e
me livraria da bruxa má?
me livraria da bruxa má?
E se o País de Aslam,
em toda sua glória e esplendor,
fosse apenas uma ficção?
fosse apenas uma ficção?
E
se uma coluna no metrô me deixasse em um mundo repleto de magia?
E
se as sinapses fossem emitidas pelo coração?
E se...
Precisaria a Vida de um “leão covarde”?
Precisaria
o Corpo de um “homem sem coração”?
Precisaria
a Morte de um “espantalho vivo”?
Se sem estrada, sem escolha, precisaria a vida ter Vida?
Se a “Terra do Nunca” um dia “fosse”, precisaria eu SER também?
Se o mundo fosse um Asteróide bem pequeno,
sem rosas ou raposas,
haveria de ser necessário cativar até mesmo os grãos de areia?
Como seria tudo se nada fosse?
Precisaria precisar de tantas perguntas, não sendo Alice a Verdadeira?
Precisaria mesmo Macondo de um furacão?
Se, no final de todas as estradas,
não fossem sempre condenadas as Estirpes Severinas,
haveria necessidade de novos cem anos de solidão?
Se todo “se” virasse SIM haveria NÃO para nos levar além?
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Minha máquina do mundo se abriu
Já não havia mais horas nos ponteiros do relógio.
O
tempo, bailando sobre mim
delineava
um emaranhado de estradas,
de
corpos
e
de esquinas que não virei.
No
final de todos os caminhos
(Inexplicavelmente
unidos),
um
Anjo me sorria contente
e
um demônio timidamente também sorria.
Já não existiam mais janelas para se abrir,
portas
para trancar
ou
vontade para morrer - eu Era sem saber Ser.
Sufocando,
sufocado, perdi-me silêncio
sufocado, perdi-me silêncio
e
desespero,
eram tantos equívocos, tantas escolhas infundadas.
eram tantos equívocos, tantas escolhas infundadas.
O
Anjo já não sorria mais.
Um pouco de chá para serenar,
um
pouco de café...
Há
como serenar o silêncio?
Ele
controla, impõe
e
sufoca...
Um
comprimido para acalmar?
Nada
acalma e já não quero mais entorpecer.
Eu
falo.
Grito, grito bastante, mas
Grito, grito bastante, mas
ninguém
me escuta para além das paredes.
O
demônio enxuga as próprias lágrimas.
O sono me chega,
as
horas continuam imóveis, mas
o
desespero se rende ao cansaço
e cansado,
procuro
meu leito: vazio, apenas vazio.
No
meio de tantos corpos,
no
meio de tantas histórias,
como
num livro de Clarice,
permaneço parado na porta esperando
permaneço parado na porta esperando
-
Anjo e demônio fitam o horizonte.
Um raio de luz atravessa a cortina
e
me encontra. Desde quando?
Chovia
ainda agora,
era
noite,
a
profunda noite daqueles que sofrem.
Daqueles
que enlouquecem no silêncio?
Anjo
e demônio sorriam novamente...
Perdido, procurado os cantos da casa,
me
i
s
o
l
o
Sou
todo canto agora,
nada
de encanto
nada
de
nada,
nada
além de mim...
Sem
anjos ou demônios.
O
Sol invadiu meu apartamento, inundou meu corpo
e
fez mover os ponteiros do relógio.
A
noite passou
e
nenhum corte encontrou meu pulso.
No
espelho do armário percebi meu rosto,
não
estava mais sozinho.
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
Saudade infinita
O poema prometido tem sabor de Passado,
de tempo passado, de história passada
- sem passos,
apenas e s p a ç o.
de tempo passado, de história passada
- sem passos,
apenas e s p a ç o.
Parece confuso? Sempre foi... não?
Tua jaqueta de couro
combina com a minha pele,
perfeita junção manifesta.
Como perfeita, alias,
ficou minha camisa rosa em teu corpo
também rosa,
também suave...
Não pedi teu futuro
ou aspirações,
tão pouco tua alma pedi.
Implorei-te apenas um beijo,
quis teu hálito
e depois... Talvez,
Tua jaqueta de couro
combina com a minha pele,
perfeita junção manifesta.
Como perfeita, alias,
ficou minha camisa rosa em teu corpo
também rosa,
também suave...
Não pedi teu futuro
ou aspirações,
tão pouco tua alma pedi.
Implorei-te apenas um beijo,
quis teu hálito
e depois... Talvez,
quem sabe,
fosse apenas a esperança
fosse apenas a esperança
de te ver ceder e me aquecer
- Fazer o tempo parar?
Tudo mudou, não nego. Nego
Tudo mudou, não nego. Nego
apenas
que não desejo
que não te quero
que não te espero. Mas,
porque me negas?
Meu silêncio já não te encontra mais
e teus olhos castanhos não encontram os meus.
Estou só, preso numa noite que não aconteceu.
E você,
que não te quero
que não te espero. Mas,
porque me negas?
Meu silêncio já não te encontra mais
e teus olhos castanhos não encontram os meus.
Estou só, preso numa noite que não aconteceu.
E você,
será que existe para além destes versos?
Cansado,
Cansado,
agora
anseio apenas o dia
em que sentirás meu beijo te encontrar,
feito brisa suave e saudade infinita.
anseio apenas o dia
em que sentirás meu beijo te encontrar,
feito brisa suave e saudade infinita.
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Oração canção, Rio
Rio, em tuas casas eu me aprendi abrigo e me forjei em tons do mar que abraça infinito. Rio, sobre tuas ruas desfilei-me encanto, respirei-...
-
...e de toda sorte: quando não se queriam; quando não se buscavam; quando não se tocavam, quando não se beijavam; dias-anos saudade-é.
-
Se eu me sobrevivo como saber se canto ou morte, se dor ou gozo? Se eu me sobrevivo como saber se letra ou lágrima, se sorriso ou lamento?...
-
acordei, já era tarde, troquei o almoço pelo fino trato da aurora; não me desabotoei das lembranças, quis o filme tolo e a cerveja estupidam...