segunda-feira, 12 de abril de 2021

O poeta e a Cura

Confesso
verso faca alívio,
verso-terço-puro,
que retina tempo espelha.
 
Confesso
gosto gozo infindo,
gosto-corpo-culpa,
que pecado santo arvora.
 
Confesso
cura presa angústia,
cura-serra-sonha,
que temporal brisa encontra.

terça-feira, 30 de março de 2021

Outubro no Ouvidor

                                               à menininha Ruiva.

De todas as formas, platonicamente,
sustento
a filha que nunca foi nossa,
o tempo que nunca tivemos,
o “sim” que nunca demos,
o “olhar” que nunca trocamos.

De todas as fôrmas, eroticamente,
aquiesço
a boca não molhada,
o corpo não sentido,
o gozo não encontrado,
o terço não rompido.

Meu maior pecado-controle,
meu maior pecado-insegurança,
meu maior pecado-medo,
meu maior pecado-conquista.

Meu maior pecado-platônico,
meu maior pecado-sustento,
meu maior pecado-erótico,
meu maior pecado-aquiesço. 



terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Foram as impossibilidades

vírgulaneamente, com licença de Clarice,
começo um texto
e,
como Lori,
também com café,
procuro a epifania simbólica que demarca a presença do amor: silêncio-deus; amor-deus.  
Ulisses se foi, Baltazar também, restou
apenas
o amargo vazio das impossibilidades: a vida urge.
 
Urgimos nós:
por esta ausência sem nome,
por este espaço sem corpo,
por este beijo sem boca,
por este peso sem paixão.
Nós?
Baltazar se foi: a vida passa.
 
Passaria talvez,
se a vida fosse vida, mas
sendo apenas dias
todos são iguais
e,
em nenhum deles,
escuto o barulho dos teus passos no corredor ao lado.
 
Se este vazio é
o “silêncio-deus” e “amor-deus”,
porque lacera-me tanto?
 
Seria o Amor,
mesmo estes
que começam com vírgula,
um “deus-em-si”
feito
para ser adorado na crueza dos nossos próprios corpos?
 
Não sei.

Lóri não me responde, Ulisses retornou.
Baltazar se foi...

Há também um tempo para o Amor?   

 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Tempos estranhos
[fechados],
passos insanos.

Isolados.

Distópico
princípio diastólico

Baco
insistente ao diabólico

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Tudo assim,
s u s p e n s o, 
sem lugar
e causa aparente. 



Luminescência ou presença escondida

                                    A Clarice


... foi quando li Verissimo.

Deste jeito,
tomado de espanto,
percebi que você já era em mim
e que meu rosto
(filho do meu mais profundo silêncio),
era composto por tuas palavras.
 
Sou Chico sendo Clarice.


Oração canção, Rio

Rio, em tuas casas eu me aprendi abrigo e me forjei em tons do mar que abraça infinito. Rio, sobre tuas ruas desfilei-me encanto,  respirei-...