domingo, 25 de abril de 2021

Poema de despedida

Entre tuas mãos aconchego;
entre  
tuas coxas casa
e teus braços fogo

- eu ficaria se você pedisse. 

Entre os futuros da estrada;
entre
o olhar dos filhos
e do encanto música

- eu ficaria se você pedisse.

No sorriso benção,
no silêncio medo.

sábado, 24 de abril de 2021

“Um pouco de possível, senão eu sufoco”

(Deleuze)

Um pouco
deste canto grito,
deste verso estrada,
desta mão-revolta,
desta mente-assombro,
deste sangue-cais.
 
Um pouco
deste canto imenso,
deste verso Casa,
desta mão sossego,
desta mente pura,
deste sangue-mar.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

O poeta e a Cura

Confesso
verso faca alívio,
verso-terço-puro,
que retina tempo espelha.
 
Confesso
gosto gozo infindo,
gosto-corpo-culpa,
que pecado santo arvora.
 
Confesso
cura presa angústia,
cura-serra-sonha,
que temporal brisa encontra.

terça-feira, 30 de março de 2021

Outubro no Ouvidor

                                               à menininha Ruiva.

De todas as formas, platonicamente,
sustento
a filha que nunca foi nossa,
o tempo que nunca tivemos,
o “sim” que nunca demos,
o “olhar” que nunca trocamos.

De todas as fôrmas, eroticamente,
aquiesço
a boca não molhada,
o corpo não sentido,
o gozo não encontrado,
o terço não rompido.

Meu maior pecado-controle,
meu maior pecado-insegurança,
meu maior pecado-medo,
meu maior pecado-conquista.

Meu maior pecado-platônico,
meu maior pecado-sustento,
meu maior pecado-erótico,
meu maior pecado-aquiesço. 



terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Foram as impossibilidades

vírgulaneamente, com licença de Clarice,
começo um texto
e,
como Lori,
também com café,
procuro a epifania simbólica que demarca a presença do amor: silêncio-deus; amor-deus.  
Ulisses se foi, Baltazar também, restou
apenas
o amargo vazio das impossibilidades: a vida urge.
 
Urgimos nós:
por esta ausência sem nome,
por este espaço sem corpo,
por este beijo sem boca,
por este peso sem paixão.
Nós?
Baltazar se foi: a vida passa.
 
Passaria talvez,
se a vida fosse vida, mas
sendo apenas dias
todos são iguais
e,
em nenhum deles,
escuto o barulho dos teus passos no corredor ao lado.
 
Se este vazio é
o “silêncio-deus” e “amor-deus”,
porque lacera-me tanto?
 
Seria o Amor,
mesmo estes
que começam com vírgula,
um “deus-em-si”
feito
para ser adorado na crueza dos nossos próprios corpos?
 
Não sei.

Lóri não me responde, Ulisses retornou.
Baltazar se foi...

Há também um tempo para o Amor?   

 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Tempos estranhos
[fechados],
passos insanos.

Isolados.

Distópico
princípio diastólico

Baco
insistente ao diabólico

Oração canção, Rio

Rio, em tuas casas eu me aprendi abrigo e me forjei em tons do mar que abraça infinito. Rio, sobre tuas ruas desfilei-me encanto,  respirei-...