Meu corpo, sobre seu corpo, pesa à esquerda
e
teu corpo, sobre o meu,
desliza para direita.
Troco meu Caetano por Gonzaguinha (vamos à luta),
enquanto você toma seu Bourboun e cantarola “certas coisas”.
Certas coisas sobre você me deixam inquieto:
Seu drama, sua pose de dama e este jeito que é Chama em cada gesto.
Eu vento, espalhando por todos os lados, querendo ser brisa.
Brisa e vento, dama e chama...
Sua voz grave invade meus ouvidos
e dança, mas
eu não. Faço pose
e tomo meu café enquanto espero sua decisão
- não se engane,
toda espera é um sintoma de fraqueza.
Eu hoje e você amanhã.
Aliás,
teremos amanhã? Todo amanhã deveria ser terça-feira.
Treze anos? Sete anos?
A vida não cabe no tempo
e nossa estrada é infinita em cada beijo.
Até você eu fui estrada, hoje sou casa:
Chão de Talles
e
teto de Helena
- ela tem seu sorriso e ele minha teimosia.
Uma parte de mim não escuta a flauta,
outra parte é todo silêncio
- Platão e Hans conversam no outro cômodo
Uma parte de mim é brisa que alimenta a chama
e outra parte é vento que envolve a dama.
Te querer é o desejo que não pede explicação.
segunda-feira, 25 de junho de 2018
segunda-feira, 9 de abril de 2018
Um tempo para a alma triste
ao Amigo Marcos Tristão
Despede-se da batalha a alma
combativa,
mergulha
no espaço e nas profundezas causticantes
do pensamento
e em silêncio,
organiza cepas de conceitos
e costura (para os que ficam)
um futuro arrebatamento
- este instante que se destaca do
tempo.
Então, hoje foste tu velho amigo
- como também foi
a grande alma da Índia que nos uniu em
um café.
Tua filosofia ainda reside
e não morre,
não morrerá
– o pensamento maldito sempre fica,
se escondendo pelos cantos
e
encantos, feito voz que nunca cessa.
Tua sandália de couro é memória, mas
é também resistência,
é também referência para aqueles que
não desistem
- apesar do cansaço destes dias de
chumbo.
terça-feira, 27 de março de 2018
Um encontro com Lou
O último som de barca atravessa em direção ao rio de janeiro,
faz frio em Niterói
e
pouquíssimas pessoas andavam pelas
ruas, menos ainda como nós – sem pressa, perspectiva ou querendo
chegar. Era,
talvez,
a certeza de que aquela noite seria
única. Algumas prédicas dão certo,
enquanto outras:
se encerram numa noite cinza, numa voz cinza, com roupas cinzas, num quarto com ventilador quebrado.
se encerram numa noite cinza, numa voz cinza, com roupas cinzas, num quarto com ventilador quebrado.
Não sei exatamente quanto tempo durou
nosso trajeto, minutos talvez, mas
o restante daquela noite e,
principalmente, a forma como me acolheu,
ainda ressoa por dentro .
Sabe,
voltar no tempo não é uma possibilidade,
mas
já pensei (algumas vezes) que Deus
poderia ser meu filho,
é tão triste pensar nisso
- você sabe do meu afeto por
crianças.
Ainda ouço a chuva cair no Toldo, por
isso nunca quis colocá-lo em nenhuma das minhas casas. Se me concentrar, sem
exageros, ainda consigo ouvir o teu “canalha”, ainda,
depois
de
tanto
tempo.
Sinto que eu deveria ter escolhido
outra estrada. Mas,
os caminhos do tempo não podem ser refeitos
e, cedo ou tarde, é preciso seguir.
Seguir?
Como se fosse possível, não é mesmo? Estamos
presos,
há sete anos estamos presos. Meus erros,
claro,
nos prenderam mais – eu sei. É tão difícil
perceber isso...
Foi bom ter me visto em seus olhos,
ainda hoje, depois de tanto tempo. Fico feliz que sua vida esteja seguindo e me
arrependo de não ter tido força suficiente para estar ao teu lado.
Existe uma espécie de “doutrina do
Medo” que, não raramente, controla todas as minhas ações.
Se Deus fosse meu filho, talvez não
tivesse medo,
talvez
nossa história não acabasse. Mas,
haverá final para uma noite que não cabe no tempo?
Não sei, não parece.
haverá final para uma noite que não cabe no tempo?
Não sei, não parece.
Sei que nossa "madeleine" tem sabor de terra molhada
e
que é bom demais te ver sorrindo com os olhos,
depois de sete anos.
e
que é bom demais te ver sorrindo com os olhos,
depois de sete anos.
domingo, 7 de janeiro de 2018
Clarice e o mundo que deveria ter sido
O mundo jamais dever-ia.
É angústia demais,
é peso demais, ser sem poder Ser.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Poema póstumo
Morri, sem nenhuma preparação,
num belo alvorecer.
Não havia mais ontem
e nem amanhã,
apenas
a pena do eterno presente.
Devia ter dançado aquela última canção.
num belo alvorecer.
Não havia mais ontem
e nem amanhã,
apenas
a pena do eterno presente.
Devia ter dançado aquela última canção.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
Os quatro tempos do amor
O amor acabou.
Sem fazer alarde, sem fogos de artifícios, sem beijos numa tarde/noite de domingo,
ele
simplesmente
se
foi.
A espera foi longa,
dolorosa,
absolutamente intransponível
até que me chegasse o tempo de ir além do Amor. Aliás, além é uma coisa que não me toca neste momento;
contrariamente,
estou preso no tempo deste sentimento que não existe (?) e reviso minha vida na busca pelo vazio.
simplesmente
se
foi.
A espera foi longa,
dolorosa,
absolutamente intransponível
até que me chegasse o tempo de ir além do Amor. Aliás, além é uma coisa que não me toca neste momento;
contrariamente,
estou preso no tempo deste sentimento que não existe (?) e reviso minha vida na busca pelo vazio.
Fundamental para o desamar seria não sentir. Não sentir o cheio do perfume, do corpo, do hálito. Haverá, um dia,
que canções não falem de quem se ama?
que canções não falem de quem se ama?
Uma interrogação é sempre um jeito de seguir, de terminar um parágrafo, de terminar uma aula ou palestra, mas
jamais de terminar um amor.
Amor pede exclamação, intensidade, quiçá ódio.
Aquém de toda intensidade, ainda me fustiga na alma as respostas indolentes e as magérrimas decisões:
é impossível ser feliz sozinho.
jamais de terminar um amor.
Amor pede exclamação, intensidade, quiçá ódio.
Aquém de toda intensidade, ainda me fustiga na alma as respostas indolentes e as magérrimas decisões:
é impossível ser feliz sozinho.
Precisei de quatro anos para entender (ainda que parcialmente) a dinâmica da vida
e,
de posse de todo arrependimento afirmo: ela não falha.
O
final
de nossa história já esta premeditado, nossos passos atestam apenas a liberdade de escolher nossa queda no abismo – escolhi por companhia o desespero e a solidão.
e,
de posse de todo arrependimento afirmo: ela não falha.
O
final
de nossa história já esta premeditado, nossos passos atestam apenas a liberdade de escolher nossa queda no abismo – escolhi por companhia o desespero e a solidão.
A solitude me acompanhou toda vida, desde criança. Recolher-me sempre foi uma forma de encontrar saídas, minha cama era o meu deserto.
Hoje,
deito na rede procurando entender o fio que teceu meu destino
e como, tão abruptamente, esta solitude (tão característica da minha família) tornara-se solidão.
Em qual estação,
em qual esquina,
ficar sozinho tornou-se algo tão imensamente cruel.
Hoje,
deito na rede procurando entender o fio que teceu meu destino
e como, tão abruptamente, esta solitude (tão característica da minha família) tornara-se solidão.
Em qual estação,
em qual esquina,
ficar sozinho tornou-se algo tão imensamente cruel.
A solitude é um desejo do espírito,
de uma alma que retorna ao seu centro e encontra sua paz,
a solidão, por outro lado,
é um afastamento imposto (ninguém escolhe ser sozinho). Por isso,
não há como centrar-se quando se sai de casa abandonando seu grande amor,
ainda mais nesta casa, que é agora o constructo de uma “falsa-liberdade” que só aprisiona.
A solitude liberta, a solidão sufoca. Mas,
como ressignificar o abandono?
O Zen-budismo fala da possibilidade de mudar o passado, nesta esperança eu me consumo por inteiro.
de uma alma que retorna ao seu centro e encontra sua paz,
a solidão, por outro lado,
é um afastamento imposto (ninguém escolhe ser sozinho). Por isso,
não há como centrar-se quando se sai de casa abandonando seu grande amor,
ainda mais nesta casa, que é agora o constructo de uma “falsa-liberdade” que só aprisiona.
A solitude liberta, a solidão sufoca. Mas,
como ressignificar o abandono?
O Zen-budismo fala da possibilidade de mudar o passado, nesta esperança eu me consumo por inteiro.
Escrever é uma tentativa e, em alguns momentos, um alívio, mas jamais é uma saída.
Combinar letras,
pontos,
espaços
e sentimento,
é a maneira perfeita de destruir e criar mundos novos.
Escrever sobre o “amor de ontem” é uma maneira de gastar a angústia e,
por conseqüência,
deixar às claras aquilo que eu sempre quis entender.
pontos,
espaços
e sentimento,
é a maneira perfeita de destruir e criar mundos novos.
Escrever sobre o “amor de ontem” é uma maneira de gastar a angústia e,
por conseqüência,
deixar às claras aquilo que eu sempre quis entender.
Sou todo perguntas.
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Outra vez a fome
Outra vez atravesso em tua boca o
frio da noite.
Outra vez teus braços tocam meu
espírito
e marcam minhas costas.
Passeio com minhas mãos pelo seu
corpo
e deslizo por cada ímpeto de curva...
Acarinho levemente teus mamilos,
seguro teus cabelos,
me guio no sabor do ventre
- que visito profundamente,
- que visito profundamente,
até não caber mais de mim.
Encontro sua nuca,
deixo marcas em teu pescoço
e arrepio em tuas costas.
Teu gemido perde-se num tempo
qualquer.
Extasiado sorrimos
- a fome de querer nos assola.
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Oração canção, Rio
Rio, em tuas casas eu me aprendi abrigo e me forjei em tons do mar que abraça infinito. Rio, sobre tuas ruas desfilei-me encanto, respirei-...
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...e de toda sorte: quando não se queriam; quando não se buscavam; quando não se tocavam, quando não se beijavam; dias-anos saudade-é.
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Se eu me sobrevivo como saber se canto ou morte, se dor ou gozo? Se eu me sobrevivo como saber se letra ou lágrima, se sorriso ou lamento?...
-
acordei, já era tarde, troquei o almoço pelo fino trato da aurora; não me desabotoei das lembranças, quis o filme tolo e a cerveja estupidam...