quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Tudo assim,
s u s p e n s o, 
sem lugar
e causa aparente. 



Luminescência ou presença escondida

                                    A Clarice


... foi quando li Verissimo.

Deste jeito,
tomado de espanto,
percebi que você já era em mim
e que meu rosto
(filho do meu mais profundo silêncio),
era composto por tuas palavras.
 
Sou Chico sendo Clarice.


domingo, 29 de novembro de 2020

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Horizonte-quarto e rua-Morte

O tempo passa e-nada-muda. Os dias são iguais, as
horas
correm
iguais. 
Iguais: janelas-grades, portas-grades. 

Meu sono não amanhece.
Permaneço,
palíndromicamente,
pendulando entre o desespero e
a
indiferença.

Março-dezembro se aproxima,
i n c a n s a v e l m e n t e  
PERDURO. 


terça-feira, 3 de novembro de 2020

João fala de árvores, mas
Alfredo entende comunismo. Helena,
por sua vez, 
argumenta sobre sua pesquisa
e Fernando, que não entende nada do assunto,
afirma que é tudo "questão de opinião".

Francisco, poeta manquitolante,
que 
se interessa pelo o "impoderável" na vida,
sorri ao escutar que sua a poesia é obscura.


 

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Uma carta para a dama reluzente

Surdamente, 
como recomendara meu mestre, 
penetro no reino das palavras.
 
Por descuido empresto teu rosto as esquinas
e, 
involuntariamente,
acresço aos dias as marcas dos teus passos.

Surdamemte,
ano após ano,
folheio os livros que não escrevemos.
 
O tempo não passa no reino das palavras
e teu nome salta por entre letras que não encontro.
Você ainda dorme? 
 
Freud 
nos 
une
e a liberdade tem gosto de prisão.
 
Ainda não entendo sua carta, 
talvez por isso ainda escreva
e procure no texto outras formas de compreensão. 
 
No reino das palavras
o Amor se veste de silêncio para enganar os poetas.

Uma noite de ontem no tempo de agora

  O tempo do ontem desabou num outro ontem,  ontem de tanques  e  de des_parecimentos.    Da era das pessoas nas redes à era das pessoas em ...