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Música infinita

Procuro o verso escondido no peito, 
transmutado, transmutando em sonhos 
e aspirações. 

Sou todo letra e ponto e, 
como ponto, 
sou encontro e também desencontro. 
Sou muitos de mim 
e apenas um, 
mundo de "nós" nas mãos do Eu. 

Procuro um tempo desligado das horas 
e me dispo em versos para não me achar. 
Ecoa um traço vida por entre meus dedos, mas 
apenas ilha vislumbro no espelho... 

Uma casa vazia, perdida
e sem paredes; 
sem chão ou telhado
- universo de só. 

Poesia aspiro
e expiro, 
exprimo tentando entender.

Sou falso limite no limite falso do mundo. 
Me equilibro entre a esperança e a descrença. 
Sou forte,
porém não resisto a saudade 
e poeto o beijo que não quer secar, 
que parece não tem fim. 

Ogiggia perdeu-se no tempo, 
não há paraíso, 
apenas um verso tatuado na Terra. 
Tudo que vejo, que bebo,
me consome 
e me deixa após, 
ou antes - nada me toca com indiferença. 

Não tenho cura - me pergunto,
por vezes,
se hei de querê-la. 

É difícil viver do outro lado,
perdido em cores 
e sem a madureza que nos permite Ser. 

Em verdade não Sou nunca, 
vestido de Estou declamo um amor que nunca se completa.

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Jóquei

acordei, já era tarde, troquei o almoço pelo fino trato da aurora; não me desabotoei das lembranças, quis o filme tolo e a cerveja estupidamente gelada; não resisti. Folheando o livro da Campilho retornei:
Se eu me sobrevivo como saber se canto ou morte, se dor ou gozo? Se eu me sobrevivo como saber se letra ou lágrima, se sorriso ou lamento? Gostaria de ir-me por completo, p or partes, desde que eu-me-vá .