quarta-feira, 2 de julho de 2014

Poema sobre a falta de Mar

Me visto de cacos
de casos. Sou feito de partes,
pedaços de sim e ilhas de “não”.

Caminho sem rumo:
dois dedos de prosa,
duas gotas de esperança.
Diversas são as faces do amor.

Aprumo e saio do prumo.
Em um ponto de só
saudade sobre o papel, paixão e papel.

Rabisco lágrimas, afino poesia
e pinto sua falta

- depois da areia, "não-Mar". 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Desabrigo (02 de fevereiro)

Acendo um cigarro
mais outro,
só para testar a fome de morte que me assola,
que me enlouquece 
e as vezes encanta.

Estou sujo,
coberto de ódio 
e desespero (infinita solidão).

É tudo vazio e mentira?
Mentiu-se sobre tudo?
Houve amor no abandono?
Sexo sobre lágrimas - ignore as lágrimas, 
o gozo é mais intenso
a mágoa também...

Não há abrigo e nem Rio para atravessar.
Os poetas estão mortos, Cecília 
não é verso e nem criança.
(a 
filha 
que 
nunca 
irei 
conhecer).

Perdido 
abandono o amor que nunca soube amar.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Do outro lado do Rio

Ontem perdi um amor, em razão,
em postas de vento
(pelos dedos escorrendo,
em partes pequenas de não).

Ontem a noite não veio.
Não veio sonho
ou esperança. Em razão,
o dia também não passou,
perdi-me no tempo - entre brumas e ilhas

Ontem, dois passos secaram,
duas estradas se perderam:
sem caminho, sem horizonte
e sem função.

Um vento invadiu o quarto,
alojou-se nos móveis e nos livros,
levantou a coberta e desligou a televisão
(não havia riso do outro lado do rio)

Refém do amor, busquei o verso,
busquei-te em verso, mas
você não estava - não me via.
               
Em partes:
um passo de ontem,
um beijo do ontem,
um ontem de amor.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Um passo de só

Depois do verso:
   E s p a ç o
- Impróprio e amargo.

Depois do gosto
esperança reza,
  retesa
  velho fardo.

Depois,
Um passo de só:
  Eu-farrapo esperança,
  Vazio
  terço finito.

Perdido em trapos,
me dispo
  e em rastro eu faço
  o que não era fácil:
    sou todo tempo,
    todo vento
    - espero oposto.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Um pouco de tudo

À Carlos Drummond de Andrade
Um pouco de mim, um pouco de tudo,
um pouco do que faço é poesia.
Outro pouco
é o desejo de Não-Ser
e de não ver,
de abandonar a gravata e o chinelo.

O mundo é grande.
O mundo tem cores demais
amores demais
e no “entre”,
escondido em suas linhas,
eu cato as migalhas que sobram
e do meu “eu” teimoso
componho rostos que não conheço.

Um pouco de mim de mim é espaço,
é fantasma, é espectro do que posso
e que não quero poder.

Estou nu, estou velho, mas não há queixas.
Não me queixo,
aceito minha humanidade e suas loucuras.
Sou todo homem, não tenho começo
e nem fim:
me sigo no vento.

Inundado de versos,
sou todo silêncio...



segunda-feira, 25 de junho de 2012

De anima

O que é isso que “anima” o homem
e o impõe a seguir...
Seguir a estrada nova,
o anseio novo
a nova dúvida
                       e a nova conquista:
                       - o novo gozo.

Que vontade de Ser é essa
que nunca completa se faz?
Que desejo é esse de ser e ter
(De ser ouvido,
                          de ter razão)?

Não há traço faltando
e nem ruga que está por nascer.

Todo sonho é ausência,
toda esperança é desespero
e toda vida é começo, meio e fim

É preciso aceitar o espelho
e o furo na sola do sapato.
Não há luz e nem fim,
apenas a beleza do instante:
                                             do beijo infinito
                                             do imorredouro terror.

sábado, 2 de junho de 2012

Quatro segredos


Vasculho sua vida,
sei de cada passo
e de cada desejo manifesto
e de cada perfídia cometida:
eu vejo teus olhos não-castanhos.

Me finjo de santo.
Caso, procrio
e planto uma árvore.
Mas nunca estive por lá
- eram em tuas coxas que eu vivia.

Me escondo nos risos,
finjo leveza e fúria
sou perfeito nisso.

Sou todo em códigos:
me visto de amor,
de amor me dispo 
e de amor eu morro.

Oração canção, Rio

Rio, em tuas casas eu me aprendi abrigo e me forjei em tons do mar que abraça infinito. Rio, sobre tuas ruas desfilei-me encanto,  respirei-...