Deixa quieto,
Coração.
Meu corpo é pequeno,
minha alma é serena
- deste jeito
acabo fugindo pelos poros,
transpirando
saudade,
de tanto pensar.
terça-feira, 16 de abril de 2019
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
Uma carta sobre o Amor
Faço uso das palavras por não suportar os excessos,
transbordar em versos/prosas é meu jeito de manter a sanidade. Mas,
por outro lado,
Acredito na existência de um silêncio que seja anterior ao próprio silêncio, uma espécie de presença impossível de ser representada
transbordar em versos/prosas é meu jeito de manter a sanidade. Mas,
por outro lado,
deixando esta suposta sanidade de lado, fundamental mesmo seria conseguir ultrapassar o papel
e,
assim,
ser capaz de utilizar as “letras e os espaços” para expressar aquilo que não é capaz de Ser:
estátuas sem mármores,
assim,
ser capaz de utilizar as “letras e os espaços” para expressar aquilo que não é capaz de Ser:
estátuas sem mármores,
quadros sem tintas,
música sem som,
dança sem corpo
e Amor sem objeto amado.
Enquanto isso,
me dispo esperando ser atravessado pelo toque do impossível.
me dispo esperando ser atravessado pelo toque do impossível.
Impossível? Impossível é a sentença da minha vida,
é o termo que trago tatuado na pele e que,
por descuido,
gravou minha alma.
é o termo que trago tatuado na pele e que,
por descuido,
gravou minha alma.
Impossível fora nascer,
não desenvolver uma doença neurológica, praticar esportes,
não ter problemas na fala. Impossível,
não ter problemas na fala. Impossível,
talvez,
seria não amar
seria não amar
– sou, definitivamente, movido por uma força de me encontrar nos olhos
do outro.
Não raramente me pego jogando dados com a vida, apostando alto. Viver
sem “me colar” é um esforço,
perco muitas partes minhas pelo caminho.
perco muitas partes minhas pelo caminho.
Florescer Francisco é tão difícil
quanto viver Veríssimo, nada parece bastar.
Nada é exatamente a porção que gostaria de ter a meu respeito, talvez,
desta forma,
Nada é exatamente a porção que gostaria de ter a meu respeito, talvez,
desta forma,
fosse mais fácil exercer esta Ideia de liberdade que me
acompanha.
Acredito na existência de um silêncio que seja anterior ao próprio silêncio, uma espécie de presença impossível de ser representada
e
que,
em momentos de profunda conexão,
transborda do olhar de quem se ama.
A escrita é o reflexo da fala, a fala é o produto do pensamento, o
pensamento é aquilo que sobra do silêncio – subverter a ordem
e encontrar este silêncio primeiro é o objetivo maior que me impulsiona
enquanto escritor.
No fundo,
depois de tudo,
talvez eu só queira escrever para entender o amor que me compõe em avos de silêncio.
talvez eu só queira escrever para entender o amor que me compõe em avos de silêncio.
domingo, 25 de novembro de 2018
Resistiremos
A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.
(Carta a Stalingrado, Drummond)
O céu estrelado ainda conta os feridos da última batalha,
faz frio em Stalingrado e é sempre noite na Cidade alta.
Os passos dos soldados ecoam e singram o mar,
atravessado
recomponho-me do desespero inicial - foi apenas um pesadelo?
Maldita cruz que nunca benze, que nunca basta. Aonde estás Cordeiro
que não te revoltas pelo uso do teu nome?
Acima de tudo és Tu? Mas,
não foste tu a ceder a outra face?
Não foste tu
que deixas-te jorrar teu sangue para que outros não o perdessem também?
Stalingrado ainda resiste, mas
não como história, não como vergonha pavorosa do ódio humano.
Stalingrado resiste em verde e amarelo
e avança sorrateiramente em tons de azul e branco.
Os telegramas não existem mais
e, tão pouco, podem nos dizer do futuro.
Por outro lado, sobre tuas memórias,
grande cidade,
poetas irão compor a força para esta noite que durará quatro anos
- dure quantos quatro anos durar,
resistiremos.
domingo, 4 de novembro de 2018
Do amor que resiste
Teus cachos vibram pelo vento
e a bandeira trêmula envergonhada;
a tessitura serena de tua voz
contrasta com a violência escancarada.
Teu sorriso aberto, pleno de alegria,
em resistência a liberdade cerceada;
este vestir autônomo que empunha,
enfrenta o medo desta fala controlada.
Teu olhar que em silêncio me fita,
confronta o "vazio-ruidoso" que impera;
a cor que brota de teus desenhos
se impõe ante o cinza que o futuro enverga.
Nossa história nunca acontecida
e este jeito de governo que retorna;
é força o querer que desabrocha
ante a face do ódio que desponta.
e a bandeira trêmula envergonhada;
a tessitura serena de tua voz
contrasta com a violência escancarada.
Teu sorriso aberto, pleno de alegria,
em resistência a liberdade cerceada;
este vestir autônomo que empunha,
enfrenta o medo desta fala controlada.
Teu olhar que em silêncio me fita,
confronta o "vazio-ruidoso" que impera;
a cor que brota de teus desenhos
se impõe ante o cinza que o futuro enverga.
Nossa história nunca acontecida
e este jeito de governo que retorna;
é força o querer que desabrocha
ante a face do ódio que desponta.
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
segunda-feira, 25 de junho de 2018
A parte que falta
Meu corpo, sobre seu corpo, pesa à esquerda
e
teu corpo, sobre o meu,
desliza para direita.
Troco meu Caetano por Gonzaguinha (vamos à luta),
enquanto você toma seu Bourboun e cantarola “certas coisas”.
Certas coisas sobre você me deixam inquieto:
Seu drama, sua pose de dama e este jeito que é Chama em cada gesto.
Eu vento, espalhando por todos os lados, querendo ser brisa.
Brisa e vento, dama e chama...
Sua voz grave invade meus ouvidos
e dança, mas
eu não. Faço pose
e tomo meu café enquanto espero sua decisão
- não se engane,
toda espera é um sintoma de fraqueza.
Eu hoje e você amanhã.
Aliás,
teremos amanhã? Todo amanhã deveria ser terça-feira.
Treze anos? Sete anos?
A vida não cabe no tempo
e nossa estrada é infinita em cada beijo.
Até você eu fui estrada, hoje sou casa:
Chão de Talles
e
teto de Helena
- ela tem seu sorriso e ele minha teimosia.
Uma parte de mim não escuta a flauta,
outra parte é todo silêncio
- Platão e Hans conversam no outro cômodo
Uma parte de mim é brisa que alimenta a chama
e outra parte é vento que envolve a dama.
Te querer é o desejo que não pede explicação.
e
teu corpo, sobre o meu,
desliza para direita.
Troco meu Caetano por Gonzaguinha (vamos à luta),
enquanto você toma seu Bourboun e cantarola “certas coisas”.
Certas coisas sobre você me deixam inquieto:
Seu drama, sua pose de dama e este jeito que é Chama em cada gesto.
Eu vento, espalhando por todos os lados, querendo ser brisa.
Brisa e vento, dama e chama...
Sua voz grave invade meus ouvidos
e dança, mas
eu não. Faço pose
e tomo meu café enquanto espero sua decisão
- não se engane,
toda espera é um sintoma de fraqueza.
Eu hoje e você amanhã.
Aliás,
teremos amanhã? Todo amanhã deveria ser terça-feira.
Treze anos? Sete anos?
A vida não cabe no tempo
e nossa estrada é infinita em cada beijo.
Até você eu fui estrada, hoje sou casa:
Chão de Talles
e
teto de Helena
- ela tem seu sorriso e ele minha teimosia.
Uma parte de mim não escuta a flauta,
outra parte é todo silêncio
- Platão e Hans conversam no outro cômodo
Uma parte de mim é brisa que alimenta a chama
e outra parte é vento que envolve a dama.
Te querer é o desejo que não pede explicação.
segunda-feira, 9 de abril de 2018
Um tempo para a alma triste
ao Amigo Marcos Tristão
Despede-se da batalha a alma
combativa,
mergulha
no espaço e nas profundezas causticantes
do pensamento
e em silêncio,
organiza cepas de conceitos
e costura (para os que ficam)
um futuro arrebatamento
- este instante que se destaca do
tempo.
Então, hoje foste tu velho amigo
- como também foi
a grande alma da Índia que nos uniu em
um café.
Tua filosofia ainda reside
e não morre,
não morrerá
– o pensamento maldito sempre fica,
se escondendo pelos cantos
e
encantos, feito voz que nunca cessa.
Tua sandália de couro é memória, mas
é também resistência,
é também referência para aqueles que
não desistem
- apesar do cansaço destes dias de
chumbo.
Assinar:
Postagens (Atom)
Oração canção, Rio
Rio, em tuas casas eu me aprendi abrigo e me forjei em tons do mar que abraça infinito. Rio, sobre tuas ruas desfilei-me encanto, respirei-...
-
...e de toda sorte: quando não se queriam; quando não se buscavam; quando não se tocavam, quando não se beijavam; dias-anos saudade-é.
-
Se eu me sobrevivo como saber se canto ou morte, se dor ou gozo? Se eu me sobrevivo como saber se letra ou lágrima, se sorriso ou lamento?...
-
acordei, já era tarde, troquei o almoço pelo fino trato da aurora; não me desabotoei das lembranças, quis o filme tolo e a cerveja estupidam...