Foste o mais belo de todos os meus amores,
amanheceste
como luz que não se enxerga,
como bondade que não se enverga.
Ainda guardo dentro outro amor,
outro corpo
saturado na retina, mas
longe de ti nada mais faz sentido.
Amanheceste e não encontro mais anoitecer.
sábado, 24 de janeiro de 2015
domingo, 12 de outubro de 2014
Muito deste muito pouco
Um pouco de mim é pensamento
e um pouco é escada sem fim
Um pouco é fórmula,
canção e fantasma.
métrica e ritmo.
Um pouco de mim é “verbo-poético”,
e outro pouco é medo e esperança.
Um pouco é letra,
espaço e história.
Um pouco de mim é ruga
e saudade...
Um pouco é desejo,
loucura,
falta,
e outra vez escada:
estrada e
solidão...
Um pouco de mim é sem nunca Ser,
sem antever
e outro pouco é Vontade..
Muito deste pouco é sempre muito
Muito deste pouco é muito pouco
Muito deste pouco é pouco de outro
muito.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Ode a uma intensa noite que nunca existiu
Minhas
mãos descobrem
e encobrem teu corpo
- cabelos, rosto, seios, ventre;
- cabelos, rosto, seios, ventre;
me encontro em cada esquina
e
em cada gemido que dás.
Minha
boca explora teus segredos,
teus desejos mais sombrios,
teu mudismo
e vibrar.
e vibrar.
Meu
hálito percorre tuas partes,
tuas costas,
tua nuca
teu suar.
Meu
corpo desvenda teus desejos.
Não
há razão,
apenas ritmo...
terça-feira, 22 de julho de 2014
Um pouco de amor
Um pouco da serra em teu reflexo,
um pouco de espera
e do teu castanho jeito de ver
- sem luz, sem esperança,
sem
danação.
Vermelho o beijo que não vêm.
Um pouco do teu pêlo,
um
pouco do teu gosto,
um pouco do teu pouco permanece,
me
enternece.
Um pouco do teu silêncio,
do teu vermelho – espelho.
Um pouco é exagero poético,
vontade de verso
(grafismo que
não passa).
Além do pouco é certeza de morte,
é beijo que não seca
resseca:
Helena espera, a espera...
infinita espera.
Anoiteço um dia sem amanhã
e cansado
visto-me de santo
e sem espanto
nego o sorriso
e o sorrir.
Um pouco de tudo é poema,
outro pouco
é a vida que não se deixar versar.
domingo, 13 de julho de 2014
Sobre a morte do Amor
O amor morreu esta manhã,
disperso por “nãos”,
ele se foi.
Feito areia ao vento,
ele se foi
para além dos acasos
e
de todos os silêncios,
de todos os silêncios,
de todas as baias
e
das cidades vigiadas por Deus.
das cidades vigiadas por Deus.
O Amor se foi:
partido
e sem aviso,
e sem aviso,
“prenho” de mágoa
e
expectativas.
expectativas.
Ele se foi: Carente por braços,
abraços e
E s p a ç o s.
Ele se foi,
Ele se foi,
submerso
em seus próprios anseios,
em seus medos criados,
no vazio das desilusões
e
em sua felicidade imprópria.
O amor morreu esta manhã...
em seus próprios anseios,
em seus medos criados,
no vazio das desilusões
e
em sua felicidade imprópria.
O amor morreu esta manhã...
domingo, 6 de julho de 2014
A casa na margem do mundo
Procuro meu mundo sem casaco, espaços
ou arabescos.
Me dispo de formas, de
contas e de “ismos”.
Recolho meus medos
e a esperança que versa do pós,
puro intento pendulado na
beira do abismo
Sou todo desejo e processo,
esticado entre o passado e o
futuro
- maldita ânsia, dorido
tremor.
Adeus à deus - lágrima tardia.
Sou todo nada, espero o
Nada.
Eu tenho tudo.
Eu tenho tudo.
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Poema sobre a falta de Mar
Me visto de cacos
de casos. Sou feito de partes,
pedaços de sim e ilhas de “não”.
Caminho sem rumo:
dois dedos de prosa,
duas gotas de esperança.
Diversas são as faces do amor.
Aprumo e saio do prumo.
Em um ponto de só
saudade sobre o papel, paixão e papel.
Rabisco lágrimas, afino poesia
e pinto sua falta
-
depois da areia, "não-Mar".
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